Na Audio, cantor encontrou uma plateia que sabia cada palavra e fez da nostalgia um dos momentos mais emocionantes da noite
Existe uma diferença enorme entre assistir a um artista que você gosta e perceber que praticamente todo mundo ao seu redor também sabe exatamente o que está acontecendo. Foi essa sensação que tomou conta da Audio, em São Paulo, na noite de 28 de agosto, durante o show de Christian Chávez com a Para Siempre Tour.
As aberturas acabaram atrasando um pouco o início da noite, mas, quando Christian entrou no palco, parecia que ninguém mais estava preocupado com o relógio. O show era bonito, bem produzido e tinha uma estrutura que funcionava muito bem. Os bailarinos estavam excelentes e a banda, no ponto, acompanhando o cantor com uma segurança que deixava tudo ainda mais redondo.
Christian Chávez leva a Para Siempre Tour a São Paulo
Mas preciso falar das músicas do RBD, porque uma coisa é ouvir aquelas músicas hoje, outra completamente diferente é estar em um lugar com centenas de pessoas cantando todas elas juntas. E não estou falando daquele público que acompanha o refrão e deixa o resto para o artista. Era a plenos pulmões. Cada música parecia ativar uma memória coletiva, e a Audio se transformava, por alguns minutos, em um daqueles lugares em que todo mundo conhece a mesma história.
“Rebelde”, “Sólo Quédate en silencio”, ou qualquer outra canção que trouxesse de volta aquela época tinham um efeito quase imediato. Bastavam os primeiros acordes para a plateia responder. E talvez esse tenha sido o grande trunfo da noite: Christian não precisava explicar o significado daquelas músicas. Todo mundo ali já sabia.
É curioso perceber como o RBD continua ocupando um espaço tão específico na memória de uma geração e do próprio Christian. Para muita gente, aquelas músicas não são apenas músicas. Elas lembram escola, amizades, primeiros amores, televisão, adolescência e uma época que, quando a gente percebe, já passou há bastante tempo.
E Christian sabe exatamente o que fazer com esse legado.
O cantor não parece estar tentando reproduzir o RBD ou fingir que o tempo não passou. Ele apresenta sua própria trajetória, mas entende que existe uma parte dela que inevitavelmente será compartilhada com aquela banda e com tudo o que ela significou para seus fãs.
Por isso, os momentos dedicados ao grupo foram, para mim, os mais icônicos da apresentação. Não necessariamente porque eram músicas muito famosas, mas porque havia algo muito bonito acontecendo entre palco e plateia. Christian cantava, o público respondia e, por alguns instantes, parecia que ninguém queria deixar aquela época terminar de verdade.
No fim, saímos da Audio com aquela sensação meio estranha que alguns shows provocam: a impressão de ter assistido a algo novo enquanto, ao mesmo tempo, revisitamos uma memória antiga.
Christian Chávez entregou um show bonito, com excelentes bailarinos, uma banda muito bem encaixada e um público completamente entregue. Mas talvez o mais especial tenha sido perceber que, tantos anos depois, aquelas músicas ainda conseguem fazer uma sala inteira cantar como se fosse a primeira vez.
E talvez seja esse o verdadeiro poder da nostalgia: ela não traz o passado de volta. Ela faz a gente perceber que algumas coisas nunca foram embora.

