Após quase 14 anos, banda voltou à capital cearense com a turnê “Eu Tive um Sonho”, reuniu diferentes gerações e protagonizou uma coincidência especial no repertório
Treze anos depois do hiato, o Kid Abelha voltou aos palcos e encontrou em Fortaleza uma plateia pronta para cantar junto. A banda se apresentou neste sábado (22), no Centro de Formação Olímpica (CFO), com a turnê “Eu Tive Um Sonho”, que reúne Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato em uma celebração de cerca de quatro décadas de trajetória do grupo.
Realizado pela Live Nation Brasil, em parceria com a Posto 9 Entretenimento, o show faz parte de uma série de apresentações que percorre diferentes cidades brasileiras. A turnê tem direção musical de Liminha e direção de arte de Gringo Cardia, e aposta em um repertório que passa por diferentes fases da carreira do Kid Abelha.
Em Fortaleza, a apresentação foi marcada pela presença de um público bastante diverso. Pessoas que acompanharam a banda desde os anos 1980 e 1990 dividiram o espaço com gerações mais novas, que também conheciam as letras e acompanhavam os principais momentos do repertório. A resposta da plateia era imediata: em diversos momentos, Paula Toller praticamente dividia os vocais com o público.
A setlist manteve a estrutura que vinha sendo apresentada nas outras cidades da turnê, reunindo 27 músicas. Entre elas, “Pintura Íntima”, “Como Eu Quero”, “Fixação”, “Lágrimas e Chuva”, “Nada Sei”, “Grand’Hotel”, “Os Outros” e “Por Que Não Eu?”. A escolha privilegia justamente as músicas que construíram a relação do grupo com o público, e o resultado em Fortaleza confirmou a força desse repertório ao vivo.
O Centro de Formação Olímpica ficou tomado pela multidão e, com o avanço da noite, o espaço também ficou quente — tanto pelo clima de Fortaleza quanto pela quantidade de pessoas reunidas. A plateia permaneceu em movimento, cantando e dançando principalmente nos momentos mais conhecidos do show.

“Amanhã é 23”
A data da apresentação acrescentou um elemento particular ao repertório. 22 de agosto era a véspera do aniversário de Paula Toller, que completa anos neste domingo (23).
Por isso, “Amanhã é 23” ganhou um significado especial durante a apresentação. Composta por Paula Toller e George Israel e lançada em 1987, a música faz referência ao dia 23 de agosto, data de nascimento da cantora.
A cena ficou ainda mais curiosa porque a canção foi cantada justamente quando o “amanhã” mencionado na letra estava a poucas horas de chegar. E, depois da música, a coincidência virou celebração: o público cantou parabéns para Paula Toller no palco, em um dos momentos mais espontâneos da noite.
A escolha de “Amanhã é 23” naquela data transformou uma música já conhecida em um dos momentos mais particulares da apresentação. Não era apenas uma faixa do repertório: naquele sábado, o título correspondia literalmente ao dia seguinte.
Um reencontro sem precisar reinventar o repertório
O principal acerto da apresentação está na compreensão do que o público esperava encontrar. A turnê não tenta apresentar uma nova fase do Kid Abelha, mas revisitar uma trajetória construída ao longo de décadas — e Fortaleza respondeu justamente às músicas que fazem parte dessa história.
Depois de 13 anos de hiato, Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato retomaram a parceria no palco sem transformar o reencontro em uma simples reprodução do passado. O repertório é conhecido, mas a plateia que o canta é outra, formada por pessoas que chegaram às mesmas músicas em momentos diferentes da vida.
Em Fortaleza, isso ficou evidente na combinação entre repertório e público. O Kid Abelha voltou à cidade depois de quase 14 anos e encontrou uma plateia que conhecia as músicas, acompanhava cada refrão e ainda tinha uma razão extra para comemorar.
No dia 22, “Amanhã é 23” deixou de ser apenas uma música do Kid Abelha e virou parte da história daquela apresentação. Algumas horas depois, já seria aniversário de Paula Toller — e a turnê teria deixado Fortaleza com mais um capítulo para contar.

