Dona de canções que marcaram a história da música, Dolly Parton nos deixou nesta terça-feira (25 de agosto)
Morreu nesta terça-feira (25), aos 80 anos, um dos maiores ícones da história da música mundial, a rainha do country Dolly Parton. A notícia foi confirmada nas redes sociais da cantora por seu sobrinho e chefe de segurança, Bryan Seaver. Considerada a Rainha do Country, Dolly Parton é cantora, compositora, atriz e empresária. Ao longo da carreira, lançou mais de 50 álbuns, conquistou 11 Grammys e recebeu um Oscar.
A cantora vinha enfrentando problemas de saúde desde o início do ano e chegou a cancelar sua residência em Las Vegas para se dedicar ao tratamento de seu sistema imunológico. Mesmo durante o período de cuidados médicos, Dolly manteve o bom humor e apareceu nas redes sociais para tranquilizar os fãs, afirmando que estava evoluindo bem em seu tratamento. Após o anúncio de seu falecimento, foi confirmado que a cantora enfrentava uma batalha contra o câncer.
Infância
Dolly Rebecca Parton nasceu em janeiro de 1946 em uma cabana às margens do rio Little Pigeon, no Tennessee. É a quarta das doze filhas do casal Avie Lee Caroline e Robert Lee Parton Sr. Na infância, Dolly viveu na extrema pobreza; sua família morava em uma cabana com apenas um quarto e trabalhava muito para conseguir o sustento.

A música, porém, sempre esteve presente em sua vida. Criada na igreja evangélica, Dolly se apresentava desde seus 6 anos de idade. Aos 8 anos, ganhou seu primeiro violão. Dolly se apresentava cantando em programas de rádio e televisão locais na região. Aos 13 anos, gravou sua primeira música, a faixa “Puppy Love“, em uma pequena gravadora da Louisiana.
Início da carreira
O sucesso inicial de Parton veio como compositora; ela escreveu vários singles que entraram nas paradas musicais durante a década de 60, como os sucessos “Put It Off Until Tomorrow” e “The Company You Keep“.
Seu primeiro álbum chegou apenas em 1967, com o disco “Hello, I’m Dolly”. A faixa “Dumb Blonde” alcançou o 24.º lugar na parada country em 1967 e foi o primeiro grande sucesso de Parton. No mesmo ano, Dolly entrou no programa The Porter Wagoner Show, que apresentou a cantora para toda a América e, assim, chamou a atenção da RCA, com quem gravou diversos discos em parceria com o apresentador do programa, Porter Wagoner. A dupla foi um sucesso e foi eleita como a melhor dupla do ano pela CMA.

Nesse período, Dolly continuava a lançar seus projetos solos, mas não vinha obtendo sucesso comercial. O cenário mudou em 1971, quando lançou o disco “Joshua“. O disco levou Dolly à terceira colocação das paradas country. Em seguida, foram lançados sucessos como “Coat of Many Colors”, “Touch Your Woman” e “My Tennessee Mountain Home”, que consolidaram Dolly como uma das maiores artistas daquele período.
Jolene e I Will Always Love You
Mas foi em 1973 que Dolly foi consagrada como uma das maiores artistas da história, ao compor e gravar na mesma noite duas das músicas que se tornaram verdadeiros clássicos da música mundial, as faixas “Jolene” e “I Will Always Love You”.

Em “Jolene“, Dolly implora para uma ruiva muito encantadora que não desse em cima do marido dela: “Por favor, não o leve só porque você pode”. Segundo Parton, a canção foi inspirada por uma funcionária ruiva de banco que flertava com seu marido, Carl Dean, na agência bancária local quando eles eram recém-casados.
A canção se tornou o segundo single solo de Parton a alcançar o primeiro lugar nas paradas country e, até os dias de hoje, é cantada e regravada por gigantes da música mundial, como Miley Cyrus e Beyoncé, que, em 2024, adicionou uma versão da faixa ao álbum “Cowboy Carter”, que contou com participação de Dolly. Também em 2024, a Rolling Stone elegeu “Jolene” como a maior canção country de todos os tempos.
Eternizada na voz de Whitney Houston, “I Will Always Love You” foi escrita e gravada em 1973 por Dolly Parton. Foi uma carta de despedida para seu sócio e mentor, Porter Wagoner. Na época, a canção fez muito sucesso, alcançando duas vezes o primeiro lugar da parada US Billboard Hot Country Songs. Elvis Presley até tentou regravar a faixa em 1974, mas recebeu uma recusa de Dolly, que não queria ceder metade dos direitos autorais da faixa para o rei do rock.

Mas foi na década de 90 que a canção se consolidou como uma das maiores da história na voz de Whitney Houston, que regravou a faixa para o filme “O Guarda-Costas“. Na voz de Whitney, a faixa vendeu mais de 40 milhões de cópias e venceu o Grammy de Gravação do Ano, entregue pela própria Dolly Parton.
Entre 1974 e 1980, Parton direcionou sua música para um público mais mainstream e aumentou sua visibilidade fora da música country. Sucessos como “Here You Come Again” e “Two Doors Down” alcançaram o primeiro lugar das paradas e renderam diversos prêmios à cantora. Outro destaque é a faixa “Islands in the Stream”, parceria com Kenny Rogers, escrita pelos Bee Gees, que passou duas semanas em primeiro lugar em 1983.
Sucesso no cinema
Nos anos 80, Dolly iniciou a carreira de atriz no sucesso “Como Eliminar o Meu Chef”, ao lado de Jane Fonda e Lily Tomlin. Dolly gravou para o filme a faixa “9 to 5”, canção indicada ao Oscar que se tornou um verdadeiro clássico do cinema. Durante toda sua carreira, Dolly investiu na carreira de atriz e participou de filmes como Flores de Aço, A Melhor Casa Suspeita do Texas, Joyful Noise e A Família Buscapé.

Legado
Na década de 80, Dolly também inaugurou o Dollywood, parque temático localizado na cidade onde a cantora cresceu. O parque é um dos 20 parques temáticos mais populares dos Estados Unidos.
Durante toda a carreira, Dolly Parton apoiou muitos esforços de caridade, particularmente na área da alfabetização. A cantora fundou a Biblioteca da Imaginação de Dolly Parton em homenagem a seu pai, que nunca aprendeu a ler ou escrever. O programa atende cerca de 850.000 crianças por mês. Em fevereiro de 2018, ela doou seu 100 milionésimo livro gratuito. Em 2020, em meio à pandemia, a cantora financiou os estágios iniciais do desenvolvimento da vacina Moderna.

Dolly Parton se tornou um verdadeiro símbolo norte-americano. Conhecida pelas icônicas perucas loiras, pelos figurinos extravagantes e por sua personalidade marcante, a cantora construiu um verdadeiro império no entretenimento, transitando com sucesso pela música, pelo cinema e pela televisão.
Ao longo da carreira, Parton acumulou 55 indicações ao Grammy e 10 vitórias, além de conquistar um Oscar honorário em 2025 e um Emmy de melhor filme para televisão. A artista também se tornou a terceira mulher mais indicada na história do Grammy, consolidando seu lugar entre os maiores nomes da música mundial.
Nos últimos anos, Dolly trabalhou com diversos artistas da nova geração, que demonstraram em público todo o amor e carinho pela cantora. Em 2019, ganhou uma homenagem do Grammy que contou com a participação de Katy Perry e Shawn Mendes.
Em 2023, lançou o disco Rockstar, que teve participações de Paul McCartney, Steve Perry e Elton John, e com sua afilhada Miley Cyrus em uma regravação de “Wrecking Ball”. Em 2024, com a volta do country aos topos das paradas, Dolly apareceu no disco “Cowboy Carter” de Beyoncé, na faixa “Tyrant“, e também colaborou com Post Malone na faixa “Have The Heart”, entrando pela primeira vez no top 50 global do Spotify. Em 2025, gravou com Sabrina Carpenter o remix da faixa “Please Please Please”.

Nos últimos três anos, Dolly enfrentou alguns problemas em seu sistema imunológico e digestivo. Há 4 dias atrás, Dolly falou sobre o futuro em uma entrevista para a People.
Mesmo ainda me recuperando, continuo trabalhando! Vocês me conhecem — me coloquei numa situação complicada com os meus sonhos e ainda tenho tanta coisa que quero realizar. Então vou continuar trabalhando enquanto puder, para ver tudo se concretizar.
Disse Dolly
O velório da cantora será restrito apenas aos familiares e, a pedido da própria Dolly, em vez de enviar flores, que sejam feitas doações para a fundação da cantora.
Mesmo sendo a “Rainha do Country“, gênero que é predominantemente dominado por um público conservador, Dolly abraçou a causa LGBT, sendo uma das celebridades mais reproduzidas na comunidade drag e na comunidade negra, investindo royalties de “I Will Always Love You” e ajudando a adquirir um complexo comercial localizado em um bairro predominantemente negro em Nashville, Tennessee.
Dolly Parton, durante seus 80 anos de vida, irradiou luz e uma doçura que fizeram com que o mundo se apaixonasse por ela. No dia de seu falecimento, pessoas de todas as tribos e ideologias sentiram a perda da cantora que fez história e conquistou gerações com sua música, sua personalidade e sua bondade.


