A cantora deixou sua marca na história da música ao eternizar “Total Eclipse of the Heart”, um dos maiores hits da década de 80.
Morreu ontem, aos 75 anos, a cantora e compositora galesa Bonnie Tyler. Dona de uma das músicas mais famosas do mundo, “Total Eclipse of the Heart”, a artista estava internada desde maio em um hospital em Portugal após passar por uma cirurgia intestinal de emergência. A informação foi confirmada pela família nesta quinta-feira.
O falecimento da cantora foi divulgado por meio de uma nota da família:
“A família e a equipe de Bonnie estão com o coração partido em informar que Bonnie faleceu inesperadamente na noite passada, em um hospital de Portugal, em decorrência da doença pela qual estava sendo tratada. Divulgaremos um novo comunicado em breve, mas, por enquanto, pedimos privacidade para lidar com a tragédia.”
Legado de Bonnie Tyler

Bonnie Tyler é o nome artístico de Gaynor Hopkins, nascida em Skewen, no País de Gales, em 1951. Na infância, ouviu, por influência dos pais, artistas como Elvis Presley, Frank Sinatra e os Beatles. Foi em 1969 que despertou seu interesse pela música, após conquistar o segundo lugar em um concurso de talentos local. Ela foi backing vocal do grupo Bobby Wayne & the Dixies e, pouco tempo depois, formou a banda Imagination.
Em 1975, um caça-talentos percebeu seu potencial e a convidou para gravar uma demo, que lhe garantiu um contrato com a RCA Records. Seu primeiro sucesso foi “Lost in France”, que alcançou o 9º lugar nas paradas do Reino Unido.
Em 1977, Bonnie passou por uma cirurgia nas cordas vocais para retirar nódulos. Os médicos recomendaram seis semanas de repouso vocal, mas, após gritar de frustração durante a recuperação, desenvolveu a rouquidão que se tornaria sua principal marca registrada. No mesmo ano, lançou seu primeiro grande sucesso internacional, “It’s a Heartache”, que alcançou a terceira colocação na Billboard Hot 100.
Total Eclipse of the Heart
Em 1983, Bonnie lançou o maior sucesso de sua carreira, escrito e produzido por Jim Steinman. Para a cantora, a música era um verdadeiro desafio de interpretar, justamente por exigir muita potência vocal. Segundo Steinman, a canção nasceu com uma proposta bastante diferente:
“Com ‘Total Eclipse of the Heart’, eu estava tentando criar uma canção de amor e me lembrei de que, na verdade, a escrevi para ser uma canção de amor de vampiros. Seu título original era ‘Vampires in Love’, porque eu estava trabalhando em um musical de Nosferatu, a outra grande história de vampiros. Se alguém prestar atenção na letra, verá que são versos típicos de vampiros. É tudo sobre a escuridão, o poder da escuridão e o lugar do amor na escuridão.”
A música chegou ao topo das paradas em diversos países, vendeu mais de um milhão de cópias apenas nos Estados Unidos, rendeu indicações ao Grammy e ao American Music Awards e segue, até hoje, como uma das canções mais marcantes da história da música, ultrapassando 1 bilhão de reproduções no Spotify.
Bonnie também se tornou um ícone das trilhas sonoras de Hollywood. Em 1984, gravou “Holding Out for a Hero” para o filme Footloose. Em 2004, a música ganhou uma nova geração de fãs ao embalar a memorável cena final de Shrek 2, interpretada pela Fada Madrinha. Até hoje, a faixa segue presente em filmes, séries e videogames, como Euphoria, Marvel’s Guardians of the Galaxy, Super Mario e Superman.
“The Best” foi gravada primeiro por Bonnie Tyler em 1988, no álbum Hide Your Heart. A versão, porém, não fez grande sucesso. No ano seguinte, Tina Turner regravou a canção com o título “(Simply) The Best”, transformando-a em um sucesso mundial e na versão mais conhecida até hoje.
Mesmo após décadas de carreira, Bonnie permaneceu ativa, realizando shows até os últimos meses de vida. Em 2022, esteve no Brasil com uma turnê comemorativa de 50 anos de carreira, passando por São Paulo, Salvador e Porto Alegre. A cantora também participou do programa Altas Horas, da TV Globo, onde relembrou sua trajetória e apresentou seus maiores sucessos.

