Disco aborda vivências pessoais e mantém elementos que marcaram a trajetória do grupo
O American Football acaba de lançar o seu quarto trabalho de estúdio intitulado LP4, 27 anos após seu disco de estréia. Os pilares do midwest emo, voltam mais maduros com letras sobre crises de meia idade que chegam a “sangrar”, assim como a capa vermelha que nos foi apresentada anteriormente, mostrando o clima denso e de escuridão que o álbum atravessaria.
O quarteto formado por Mike Kinsella (vocal/guitarra), Steve Holmes (guitarra), Steve Lamos (bateria/trompete) e Nate Kinsella (baixo/backvocal), também prova que está no auge de sua sintonia, e talvez esse álbum chegue ao mesmo ponto que o icônico LP1 atingiu.
Assim como trabalhos anteriores, o disco possui várias faixas que tangenciam com a morte, revelando porque o grupo carrega a coroa do midwest emo. Mike expõe sem medo em suas composições o divórcio recente que passou, o problema e as dificuldades encontradas por conta de seus vícios e traumas de infância, que transparecem intensamente nas letras – assim como na épica de oito minutos “Bad Moons“.
O álbum inicia com a música “Man Overboard” que logo chama atenção pela bateria carregada de Steve Lamos – não acho que seja um tipo de trabalho que agrade a todos, pois certa ansiedade é composta ao decorrer do disco, tornando uma experiência que pode chegar a ser claustrofóbica para determinados ouvintes.
Outra faixa que merece destaque é “No Feeling” que conta com a participação de Brendan Yates (Turnstile), mas engana-se quem pensa que Yates trará o tom de hardcore que o consolidou, ao contrário do que se espera o vocalista do Turnstile, o cantor acaba por emprestar backing vocals sombrios, que dão uma densidade quase sobrenatural a música.

O quarto disco do American Football anda na linha tênue entre o desespero e sensação de elevação, o som cruza uma linha com guitarras polirrítmicas – gerando um “encaixe” não óbvio entre os sons que marcaram a entrada da banda na história do emo.
