O grande destaque da trama é a nostalgia e Jaafar Jackson, que brilhou vivendo seu tio
Não tem ser humano que não conheça Michael Jackson. Muitos portais de música consideram o astro a pessoa mais conhecida do mundo, e não é exagero. Durante toda sua vida, Michael construiu um legado único e ajudou a moldar a indústria do pop como conhecemos hoje.

Por anos, fãs imaginavam se algum dia a história do astro seria reproduzida em um filme ou série. Levar toda essa grandeza para um filme de duas horas é praticamente uma missão impossível, e esse desafio foi dado a Antoine Fuqua, diretor de Michael, a primeira cinebiografia do Rei do Pop, lançada em 23 de abril de 2026. Estrelado por Jaafar Jackson, sobrinho do cantor, o filme vem levando centenas de admiradores às salas de cinema.
A trajetória de Michael começa ainda na infância, quando, junto de seus irmãos, formou o grupo Jackson 5. Desde cedo, ele brilhava, era o centro das atenções e demonstrava ser único. Como podia existir tanto talento em uma pessoa tão jovem? Parte da resposta está no tratamento que recebia em casa, onde sofria abusos físicos e psicológicos de seu pai, Joe Jackson, que empresariou sua carreira até meados dos anos 1980.

É desse ponto que parte o filme. A produção é incisiva ao mostrar o quão rígido era Joe, mas parece amenizar as humilhações e os abusos sofridos por Michael, deixando a impressão de um pai apenas ganancioso em busca do sucesso do filho. Vale ressaltar que parte da família Jackson esteve envolvida na produção, o que pode explicar cortes em momentos mais delicados da trajetória do artista.
Essa interferência familiar, somada a um roteiro bastante expositivo, acaba prejudicando a narrativa em alguns aspectos. A real grandeza de Michael não é totalmente explorada; seu impacto global e sua transformação na música pop acabam resumidos em cenas pouco aprofundadas.

Porém, temos que aplaudir de pé o desempenho de Jaafar Jackson; ele foi a escolha perfeita para este papel. O menino incorporou o Michael; em muitas cinebiografias, você não consegue desvincular o ator do personagem. Aqui não; você só enxerga Michael o tempo inteiro. E, por sinal, que entrega! Ele estudou muito o tio e soube fazer tão bem todas as coreografias icônicas que marcaram a história da música.

E, claro, a grande protagonista do filme é a nostalgia. É difícil ser fã e não se emocionar ao ouvir no cinema clássicos dos Jackson 5, como “I’ll Be There”, “ABC” e “I Want You Back”, além dos hits da era de ouro de Michael nos anos 1980, como “Billie Jean”, “Wanna Be Startin’ Somethin’” e “Don’t Stop ‘Til You Get Enough”. As cenas em grandes arenas são apoteóticas e trazem a sensação de estar dentro de um show do Rei do Pop. Destaque também para momentos de bastidores, como a gravação de um dos clipes mais importantes da história da música: “Thriller”.
Por fim, o filme reforça a imagem de Michael como um homem doce, que passou a vida brilhando ao redor do mundo e construindo um legado incomparável. Um artista que quebrou paradigmas, mas que, no fundo, ainda era um menino tentando recuperar-se de traumas e do tempo que lhe foi roubado.
Uma possível sequência já é esperada e deve abordar a fase dos anos 1990, incluindo temas mais delicados, como as acusações que marcaram sua vida e sua relação com o vitiligo.

