Sem rótulos, a banda indie incorpora um mix de estilos e tem ganhado cada vez mais destaque no cenário musical
A banda Varanda, de Juiz de Fora (MG), vive um dos momentos mais importantes da carreira. Confirmado no Lollapalooza Brasil 2026, o quarteto encara o festival como validação do caminho construído desde 2019, mas também como um novo nível de responsabilidade.
Formada entre amigos que se reuniam para tocar músicas que gostavam, a Varanda ganhou força autoral quando as primeiras composições começaram a surgir entre os membros. Hoje, com uma discografia que traz Beirada (2024), Rebarba (2025), singles e EPs, além de um público em expansão, a banda aposta na experimentação e evita rótulos fechados.
Em entrevista ao Vou de Grade, os integrantes contam com muito humor sobre o início, a identidade estética, as expectativas para o Lollapalooza 2026, e o o curioso método de produção denominado “Emerson”.
A formação atual conta com Augusto Vargas (baixo e voz), Amélia do Carmo (voz), Bernardo Merhy (bateria) e Mario Lorenzi (guitarra).

Da formação em Juiz de Fora ao disco Beirada
A Varanda começou da mesma forma com que muitas bandas começaram: amigos que se reúnem para tocar as músicas que gostam. Augusto Vargas conheceu os primeiros membros da banda, Mario, Bernardo e Paula, antiga vocalista. Depois de um tempo tocando juntos, ele apresentou as composições que vinha escrevendo, e assim nasceu o lado autoral do grupo.
A banda seguiu fazendo pequenos shows em Juiz de Fora até lançar o primeiro single, em 2021. No ano seguinte, Amélia do Carmo entrou para a formação e marcou uma nova fase da sonoridade da Varanda, ampliando as possibilidades vocais e estéticas.
O nome da banda também nasceu de um processo improvisado e bem-humorado. Segundo Mario, a decisão não veio carregada de significado profundo.
“Tinha uma lista com vários nomes que a gente pensou e tal. Eu não lembro, na real, o porquê que a gente decidiu Varanda. Tipo, acho que era a coisa do menos pior. Porque, acho que os outros nomes eram bem ruins”, comentou Mario com tom de humor na fala.
“A gente gravou o primeiro EP antes de ter nome. Precisávamos decidir e foi um processo meio caótico, com uma lista enorme de opções. No fim, Varanda acabou sendo o ‘menos pior’ (risos). Depois vieram as associações, essa coisa mais solar, de paisagem, mas isso foi coincidência. O significado foi sendo construído depois.”, destaca o quarteto.
Processo criativo, método “Emerson” e a imersão coletiva
Se no palco a Varanda soa espontânea, nos bastidores a criação passa por um ritual próprio. A banda apelidou de “Emerson” os encontros de imersão em que as músicas começam a ganhar forma em conjunto.
“Quem que é o Emerson? É quando a gente reúne para tocar com banda, nós quatro, fazer essa imersão. O Emerson vem de imersão. E aí rola isso, uma pré-produção, eu acho. Lá no “LaDoBê”, explicou Mario.
A ideia não é sair do encontro com uma música pronta, mas com um direcionamento.
“Eu acho que a gente tenta sair de lá sempre com algum esqueleto que a gente quer, não é uma versão final, nem longe assim, mas é uma maneira de a gente ouvir aquilo. Porque a gente ouve aquela versão, às vezes, de voz de violão e ainda não sabe para onde aquilo vai.”
Muitas dessas ideias partem de Augusto Vargas, frequentemente descrito pelos colegas como uma “máquina de canções”. Para ele, o processo criativo começa no olhar atento ao cotidiano.
“Essa coisa da poesia, assim, de você transformar alguma coisa que às vezes é insignificante em alguma coisa, sei lá, dá uma certa importância a tudo ao redor. Olhar tudo de outra forma, acho que é isso que a gente sempre tenta fazer nas nossas letras. E a gente sempre conversa também, sempre tem uma conversa muito boa.”
Amélia reforça que o disco não nasceu de um conceito fechado, mas de um caminho que foi se desenhando naturalmente.
“É, eu acho que a onda foi meio essa, assim, a gente também não chegou num consenso. Assim, vamos fazer um álbum disso, com elementos disso e traços disso. A gente foi fazendo do jeito que interessava, puxando nossas referências em comum e também referências diferentes, que é isso que eu acho que dá o tempero também, é uma coisa boa. Tem música sobre caminhar, tem música sobre BH… Tudo pode virar música”.
Como funciona a composição na Varanda?
A dinâmica criativa da banda passa por troca constante. Ideias são compartilhadas em um drive coletivo e, a partir delas, o grupo decide o que desenvolver.
“O Augusto é uma máquina de canções. Ele coloca ideias no drive e a gente vai elegendo quais trabalhar. Às vezes eu mando um áudio super confuso, com a melodia fora de todos os tempos possíveis, e ele traduz aquilo pra estrutura da música. É um processo muito colaborativo”, comentou Amélia, uma das compositoras.
Já Augusto destaca que a inspiração pode surgir das situações mais simples.
“A inspiração vem de tudo. Tem essa coisa da poesia de transformar algo que parece insignificante em algo importante. A gente tenta olhar o cotidiano de outra forma”, destaca Augusto.
Identidade da Varanda: liberdade acima dos rótulos
Quando o assunto é definição sonora, a banda evita classificações rígidas dentro do indie, pop, rock ou MPB. Para eles, limitar é reduzir possibilidades.
“Uma banda de músicas bonitas… Eu acho que a gente tenta ao máximo não definir demais pra justamente a gente poder experimentar o que der na cabeça. É aquela história do quem se define e se limita. Eu acho que é muito fácil falar, a gente é isso, a gente é aquilo. Mas é isso que o Augusto falou, é música bonita. O que a gente já faz em cima disso, a gente vai descobrindo no processo. Acho que é difícil classificar”.
Mais do que um gênero específico, a Varanda parece apostar na liberdade criativa como identidade, característica que se reflete na discografia do quarteto.
O disco Beirada reflete cada integrante?
“Sim, naturalmente. Todo mundo participou muito do processo. Banda é isso: uma colagem de personalidades. Cada um coloca um ingrediente ali na mistura. O Beirada tem uma beirada de cada integrante, tanto nas referências quanto nas decisões de arranjo”, afirmou Amélia.
Lollapalooza Brasil 2026: da DM ao palco do festival
A confirmação no Lollapalooza Brasil 2026 chegou de forma inusitada, por mensagem direta nas redes sociais.
“A gente achou que era trote. Recebemos uma DM perguntando como fazia pra tocar no Lolla e fomos ver que era real. Primeiro veio o susto, depois aquela sensação de ‘tá, e agora?’. E aí a gente recebeu mensagem do cara, depois a gente foi ver que o cara era o maluco do Lollapalooza. O Marcelo Peraldo. E aí… Ah, e só resenha, né? A gente deu uma assustada lá no carro. Tipo, ah, estouramos a família, assim. Vamo ver que é isso.”
“Eu acho que é uma notícia que valida tudo que a gente tava fazendo, mas também coloca um nível de exigência. Tipo, pô, o negócio tá sério, tem que manter o nível e tá na altura dessa parada”, destacou Bernardo.
Preparação para o show no Lollapalooza 2026
Com a estreia no festival se aproximando, a Varanda já pensa na estrutura e na experiência ao vivo.
“A gente tá montando o show, assim, pensando na tradução das músicas, essas coisas de telão, mas como é uma estrutura de palco que a gente nunca teve assim. Não sabe como é que funciona direito. Nunca vivenciou, experimentou algo assim. A gente tá meio que tentando diminuir todos os problemas que podem ocorrer”.
O que o público pode esperar do show da Varanda?
Entre tantos sentimentos que os membros querem evocar no público, eles destacaram: “Energia, diversão e o som que a gente faz de verdade. A gente quer inspirar as pessoas também a montar banda.”
E deixam claro o objetivo no palco do Lollapalooza Brasil 2026:
“Eu quero pescar aquela galera que tá passando longe do palco e falar, carai, que porra é aquela ali, deixa eu dar uma sacada. E aí chega perto e depois vira fã, acho que isso aí é um bom caminho”, destacou Bernardo. “Chocar as pessoas com nosso rock. Isso é banda varanda.”, complementou Mario.
BÔNUS: músicas favoritas da banda Varanda
Augusto – Não Tem Hora
Mario – Cama de Vento
Amélia — Topo dos Prédios e Não tem hora
Bernardo — Relâmpagos e Leva e Vem
Acompanhe Varanda nas redes sociais para ficar por dentro das novidades da banda.
SERVIÇO:
LOLLAPALOOZA BRASIL 2026
🗓️ Quando: 20, 21 e 22 de março de 2026
📍 Onde: Autódromo de Interlagos | São Paulo
🎫 Ingressos: Tickemaster

