Mais de 20 mil pessoas enfrentaram o frio curitibano para viver encontros inéditos e shows históricos na Pedreira e na Ópera de Arame
O Coolritiba 2026 começou em tom intimista com Chico Chico, que trouxe delicadeza e emoção para abrir os trabalhos. Logo depois, a energia tomou conta com Lagum, que surpreendeu ao não incluir o single “Seu e só” no repertório. A ausência foi sentida, mas a entrega da banda manteve a plateia aquecida, transformando cada refrão em coro coletivo.
Na sequência, os Gilsons apresentaram a turnê “Eu vejo luz”, divulgando o álbum “Eu vejo a luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão”. O show trouxe uma atmosfera espiritual e reflexiva, com o público cantando em uníssono e abraçando a proposta de um espetáculo que transcende o entretenimento. O trio aproveitou para dar uma ‘espiadinha’ no show da Marina, que veio logo após.
O público foi ao delírio quando Marina Sena abriu sua apresentação com “Meu domínio”, faixa inédita ainda não lançada oficialmente, é uma música inédita e autoral da cantora, com uma pegada empoderada, sensual e autoconfiante, onde a artista assume o controle da relação e inverte papéis tradicionais de submissão. A recepção foi explosiva, mostrando que a artista já conquistou uma base fiel curitibana que acompanha cada passo de sua carreira.
Logo depois, as Anavitória subiram ao palco para sua quarta participação no Coolritiba. A dupla reafirmou sua conexão com Curitiba em um show delicado e emocionante, com lotação máxima e no palco, a Vitória brincou com o fato de serem as ‘veteranas’ do festival.
O festival foi marcado por colaborações que dificilmente se repetirão. Diretamente de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, Os Garotin incendiaram a Pedreira ao convidar a lendária Fat Family, transformando o palco em uma pista de dança com grooves e soul. Uma verdadeira celebração a cultura negra no Brasil.
Mais tarde, Seu Jorge abriu o show com o hit que marcou gerações “Mina do condomínio” e convidou Criolo para dividir o palco e mostrar que existe amor em CWB. A fusão de samba e rap emocionou a plateia e entrou para a história do festival.
Encerrando a noite, debaixo de frio e garoa, com o show mais aguardado da noite João Gomes, Jota.pê e Mestrinho apresentaram o projeto Dominguinho. Além da celebração do forró e do piseiro atual, anunciaram que voltam em 2027 com show solo em Curitiba, ainda sem data confirmada, mas com promessa feita.
Enquanto isso, na Ópera de Arame, o Super Cool Stage ofereceu uma experiência mais próxima e delicada. Janine Mathias abriu com sua força poética, seguida por Wes Ventura. O público vibrou com o som de Mundo Livre S/A e se deixou levar pela estética experimental de Ana Frango Elétrico.
A noite seguiu com a celebração dos 20 anos de carreira de Céu, em um show memorável que revisitou clássicos e emocionou fãs de longa data. Depois, Budah apresentou uma performance intensa e Djonga encerrou com força e poesia, reafirmando sua posição como um dos grandes nomes do rap nacional.
Mesmo com o frio internso típico de Curitiba, o público permaneceu firme, aquecido pela energia dos artistas e pela atmosfera coletiva. Mais de 20 mil pessoas circularam entre os dois palcos, superando a expectativa inicial de 15 mil. O festival manteve seu compromisso ambiental com compensação de carbono, reciclagem de resíduos, cenografia reutilizável, copos retornáveis e água gratuita.
O Coolritiba 2026 foi mais do que um festival: foi uma celebração da diversidade musical e cultural, marcada por encontros inéditos, surpresas no repertório e práticas sustentáveis. A organização do festival promete uma nova edição marcante em maio de 2027.

