Mesmo após 1h20 de atraso, a colombiana entregou um espetáculo inesquecível para 2 milhões de pessoas, misturando hits, participações brasileiras e momentos de pura emoção
Chegar à Praia de Copacabana naquele sábado foi como mergulhar em um mar de expectativa. O cheiro de maresia misturado ao calor humano de milhões de pessoas criava uma atmosfera quase indescritível. Cada espaço estava tomado: famílias inteiras, grupos de amigos, turistas, todos unidos pela mesma razão: ver Shakira. O atraso de 1h20, anunciado pela TV Globo, parecia interminável, mas a energia da multidão mantinha tudo vivo. Quando as luzes finalmente se acenderam e a colombiana surgiu no palco, o tempo perdido deixou de importar.

O início foi arrebatador. A turnê Las Mujeres Ya No Lloran World Tour já vinha marcada por intensidade, e em Copacabana não foi diferente. Quando Shakira cantou “Girl Like Me”, a praia virou um coro coletivo. Eu não conseguia deixar de pensar no meme do @joeldivo, aquele senhor simpático que viralizou bebendo sua Corona e cantando a música. Era como se o Brasil inteiro tivesse se apropriado daquele momento, e agora, diante de milhões de pessoas, ele ganhava proporções épicas.
Os grandes sucessos vieram em ondas, como se fossem marés que nos atingiam em cheio: “Estoy Aquí”, “Inevitable”, “Whenever, Wherever”, “Hips Don’t Lie” e “Waka Waka”. Cada música trazia lembranças diferentes, e eu me peguei dançando, rindo e até chorando. Mas nada me tocou tanto quanto “Acróstico”. As imagens dos filhos de Shakira nos telões, a delicadeza da letra e a vulnerabilidade da artista criaram um silêncio reverente na multidão. Eu senti que, naquele instante, todos nós éramos parte da vida dela. Quando Shakira dedicou o espetáculo às mais de 20 milhões de mães solteiras, senti que aquela mensagem atravessava o palco e chegava direto ao coração de cada pessoa presente.

E então vieram os convidados brasileiros, que transformaram o show em uma verdadeira celebração cultural. Anitta trouxe a energia do funk carioca, fazendo a praia vibrar. Ivete Sangalo foi pura alegria, levantando o público como só ela sabe. Maria Bethânia emocionou com sua voz carregada de história, e Caetano Veloso trouxe poesia e delicadeza, criando um contraste perfeito com a intensidade de Shakira. Eu me senti privilegiado por testemunhar esse encontro de gigantes.
O clímax da noite foi o encerramento com “BZRP Music Sessions #53”. A praia inteira parecia pulsar junto com a batida da música. Eu olhava ao redor e via pessoas, principalmente mulheres, comemorando, gritando, abraçando-se umas às outras em uma só voz. Era mais do que um show: era catarse coletiva.
Ao deixar Copacabana, ainda com dores nos pés e a voz rouca de tanto cantar, eu sabia que tinha vivido algo que não se repetiria. Não foi apenas um show, foi uma experiência que misturou festa, emoção e resistência. Shakira nos deu música, mas também nos deu força. E eu, no meio daquela multidão, me senti parte de uma história que ficará marcada para sempre na memória do Brasil.

