Entre capas de chuva e som rolando o tempo todo, o evento manteve a energia alta ao longo do dia
No domingo (3), o Nômade Festival voltou a ocupar o Parque Villa-Lobos, em São Paulo, e mostrou que nem frio nem chuva seguram o público, mantendo o ritmo do fim de semana com uma programação que atravessou estilos e gerações. O line-up contou com nomes como Urias, Carol Biazin, Jota.Pê, Péricles, Marcelo D2 e Zé Ramalho, além de outros artistas.
A abertura no palco principal ficou por conta de Carol Biazin. Seus fãs chegaram em peso desde cedo para prestigiá-la. A artista apresentou grande parte das músicas do último álbum, “No Escuro, Quem É Você?”, além de hits memoráveis da carreira e sua mais recente parceria, “O Que Sobrou do Amor?”, com Léo Foguete.
Carol, que está em turnê por todo o Brasil com shows acústicos, apresentou no palco do Nômade versões com banda de suas músicas e, como multi-instrumentista, também tocou violão e guitarra, levando o público à loucura. Entre momentos mais intimistas e explosões de energia, ela transformou a tarde em um grande coro coletivo, mostrando o porquê de ser um dos nomes mais fortes e consistentes da música atualmente.
Na sequência, Marcelo D2 assumiu o palco ao lado de sua banda, com destaque para a percussão marcante, e com a presença de Luiza Machado (Lu Machado), parceira artística e de vida. O repertório reforçou a identidade que consolidou sua carreira: a mistura entre samba e rap, com elementos de bossa nova, cultura urbana e comentários sociais presentes em toda a sua obra.
Jota.Pê veio logo depois e trouxe leveza ao line-up. Com um carisma que brilha, ele conduziu um set que transitou entre momentos mais descontraídos e passagens emocionais, sempre mantendo o público próximo. Entre uma música e outra, compartilhou histórias pessoais e bastidores de sua trajetória.
Um dos pontos altos foi a participação de Péricles, que subiu ao palco para cantar “Ouro Marrom”, levando a plateia ao ápice. Bruna Black, sua parceira no duo AVUÁ, e Mestrinho também participaram, dando ainda mais voz a artistas diversos.
Enquanto isso, o Palco Bosque seguia com sua proposta mais intimista. O destaque vai para a drag queen norte-rio-grandense Potyguara Bardo, que se apresentou trazendo toda a sua psicodelia e clima fantástico para o palco, com plateia lotada, fazendo todos navegarem em sua viagem holística.
Com uma mistura de ritmos como brega, forró, reggae, pop e eletrônico, a artista fez todos saírem do chão com uma performance hipnotizante, digna de palco principal. A artista ainda convidou Kaya Conky para cantar o hit “Karamba” e também apresentou faixas de seu último EP, “Romântica”, além das mais amadas pelos fãs, como “Você Não Existe”, “Oásis” e “Cadernin – Versão Piseiro”.

De volta ao palco principal, Péricles retornou com seu próprio show e conduziu um dos momentos mais cantados do dia. Com um repertório repleto de sucessos, o cantor fez o público acompanhar cada faixa, criando uma grande roda de samba.
E, em sua terceira passagem pelo Nômade, Urias voltou ao festival em um novo momento da carreira, agora com “Carranca”, seu álbum mais recente. A artista já havia participado das edições de 2022 e 2024, reforçando uma trajetória que cresce junto com o próprio festival.
Com o show atual, Urias apresenta um espetáculo completo, que chamou atenção ao longo da noite. A performance tem narrativa de início, meio e fim, com fortes visuais, elementos cênicos, seis bailarinas e banda ao vivo com arranjos que potencializam as músicas de estúdio.
No setlist, a cantora trouxe muitas faixas do novo disco, sem deixar de fora outras queridas pelo público, como “Diaba”, seu maior sucesso, “Explícito” e “Foi Mal”. O encerramento ficou por conta de “Voz do Brasil”, parceria com Major RD, que fecha o “Carranca” com críticas sociais e uma ideia de retomada de poder. A plateia se jogou, com leque pra todo lado e ninguém parado na pista.
Para fechar a noite, Zé Ramalho subiu ao palco com a bagagem de mais de cinco décadas de carreira. Com sua presença característica e voz inconfundível, apresentou clássicos que marcaram gerações, como “Admirável Gado Novo” e “Chão de Giz”, conduzindo o público por um repertório que mistura regionalismo e poesia.
O segundo dia do Nômade mostrou um festival ainda mais solto, com o público já à vontade para circular, cantar alto e viver cada apresentação de corpo e alma. Entre encontros inesperados no palco e momentos de conexão coletiva, o domingo fechou o fim de semana com a sensação de que o Nômade é, acima de tudo, sobre viver a música brasileira de perto.
Em sua sétima edição, o evento deixa claro que não para de crescer e já ocupa um lugar próprio entre os principais festivais do Brasil.

