Último dia é marcado pela união de diferentes tribos musicais
Em um dia ensolarado, o domingo do Lollapalooza Brasil 2026 contou com um público diverso e misturou todas as tribos musicais. A edição, que já entrou para a história do festival, somou, no total, 285 mil pessoas que passaram pelo Autódromo de Interlagos nesses três dias.
Os irmãos neozelandeses Henry e Pierre Beasley, da banda Balu Brigada, fizeram sua estreia em um show solo no Brasil trajados com uniforme da seleção brasileira e do Palmeiras. A banda foi um dos shows mais aguardados pelo público indie-rock. O show até teve seu horário alterado na programação, que de início seria no mesmo momento do show do Djo; após muitas reclamações, o show começou às 14h45.


No repertório, a dupla trouxe canções que fazem parte do seu último álbum, “Portal“, entre elas “Sideways” e “So Cold” A faixa mais aguardada pelos fãs foi “Backseat“, que levou o público a cantar alto e ainda rendeu uma rodinha punk organizada por Henry. Mesmo quem não conhecia o trabalho da banda curtiu bastante o som que combina elementos do rock, electropop e indie, além de uma ótima troca dos irmãos com o público.

A programação seguiu com o som indie rock da dupla australiana Royel Otis formada por Royel Maddell (guitarra) e Otis Pavlovic. O grupo trouxe canções de seu último disco, “Hickey“, lançado em 2025, e apresentou um cover de “Linger“, canção que repercutiu bastante na voz dos meninos.
Pela primeira vez se apresentando no Brasil, Djo reuniu um público digno de headliner. O show contou com a presença de fãs tanto do cantor Djo quanto do ator Joe Keery, que, apesar de seu sucesso em ambas as áreas, nunca desejou associar uma imagem à outra. O combo do cenário de fim de tarde ensolarado, somado às canções calmas e aconchegantes de Djo, transmitiu ao público a verdadeira energia do Lollapalooza.

Djo se sentiu à vontade no palco: pulou, se jogou no chão e vibrou com a troca e a paixão do público brasileiro, que cantou alto faixas como “Basic Being Basic”, “Chateau” e “Potion”. “End of Beginning” encerrou, com chave de ouro, o show na golden hour do último dia do festival e só confirmou que Djo é um dos principais artistas da cena indie rock na atualidade, e não apenas um artista de ‘um hit só’.
Lorde trouxe o maior público do domingo, com show que faz parte da ‘Ultrasound Tour’, com fãs caracterizados na estética do último disco da cantora, “Virgin“. No palco, Lorde mostrou ser uma verdadeira performer da música alternativa, em um show todo conceitual e pensado. A cantora se despiu no palco, grudou nos seios uma fita e desceu para cumprimentar os fãs. O Autódromo de Interlagos vibrou ao som de “What Was That” e “Hammer”, além dos clássicos “Team”, “Royals” e “Ribs”.
Fechando a edição de 2026 do Lollapalooza Brasil, Tyler, The Creator abriu seu show de forma explosiva com a música “St. Chroma”. Reunindo um público diverso, Tyler sustentou a apresentação sozinho no palco, sem banda ou dançarinos. O rapper ficou impressionado com o público brasileiro, dançou, latiu com os fãs e zombou, em tom de brincadeira, do público que o chamava de ‘gostoso’.
“Eu não sei o que vocês estão dizendo, mas eu gostei!”
disse o cantor

O cantor devia um show ao público brasileiro desde 2018, quando cancelou sua passagem pelo país. A longa espera resultou em um dos melhores shows do festival e até da carreira de Tyler, com fãs cantando alto e se emocionando ao som dos maiores hits do artista. Encerrando com See You Again, Tyler se fechou à edição de 2026 do Lollapalooza Brasil com um semblante emocionado; com certeza não passará mais 15 anos sem passar pelo Brasil.
Mesmo com essa diversidade de público, do pop ao indie, do rock hardcore ao k-pop, no festival houve muito respeito e inclusão. Fãs do Tyler abriram espaço na grade para fãs do Djo, fãs da Lorde deram passagem para meninas de 11 a 12 anos passarem para assistir ao show do Grupo Katsye. Em tempos em que vivemos em uma sociedade em guerra, o Lollapalooza Brasil mostrou que é possível, sim, viver em paz, respeitando sempre o próximo.

