Versão expandida do álbum traz novas faixas, referências históricas e estética polida
A rapper Ebony apresenta ao público KM2 (De Luxo), versão completa e conceitual do álbum lançado em maio de 2025. O projeto chega com sete novas faixas, incluindo o single “Dona de Casa”, e mergulha ainda mais fundo em questões raciais, femininas e sociais, traduzidas em rimas afiadas e sem medo de expor feridas.

Logo na abertura, “Sangue Ruim” dá o tom do disco, trazendo versos que abordam racismo, dor e resistência. A escolha da faixa como introdução simboliza um novo momento da artista, mais segura e corajosa em expor sua intimidade. Ebony explica que o impulso veio da realidade atual, marcada por índices alarmantes de feminicídio contra mulheres negras: “Pensar sobre a mulheridade, sobre ser negra, sobre movimentar o mundo silenciosamente nas costas quando todo mundo pensa o pior de você é incrível. Isso é combustível para todas nós”.
Entre os destaques, a faixa “Soujourner Truth” (track 4) aparece como interlúdio falado, trazendo à tona a célebre pergunta da ativista norte-americana em 1851: “E eu não sou uma mulher?”. A referência conecta Ebony a uma linhagem de mulheres negras que reivindicaram espaço e voz ao longo da história.
Musicalmente, o álbum mantém a estética híbrida que já caracteriza a artista, transitando entre funk, bass, drum, MPB e rap. Faixas como “Gin com Suco de Laranja” exploram a sensualidade, enquanto “Rimo em Qualquer Batida” usa coro infantil para ironizar o universo militar, transformando crítica em alegoria.
Na reta final, Ebony assume novas personas: em “Baddie Radio”, atua como locutora anunciando sua própria ascensão, e em “Chefe”, encerra o disco com versos de orgulho e autoestima — um final feliz que contrasta com a dor da abertura.
A capa, assinada pela artista plástica Hester Landim, reforça o conceito visual: tons frios e pegadas vermelhas simbolizam memória, dor e trajetória invisível, enquanto a presença da “Ebony criança” dialoga com a versão adulta que agora pinta sua própria história.
Para Ebony, o álbum marca uma transição definitiva: “Eu brinco dizendo que o primeiro álbum foi feito pela Milena, mas a Ebony fez o (De Luxo). Porque definitivamente foi polido; parece, de fato, uma obra finalizada agora”.
Ouça agora KM2 (De Luxo) de Ebony:

