A cantora que morreu há 3 anos superou um relacionamento abusivo, reconstruiu sua carreira e se tornou uma das maiores artistas de todos os tempos
Há três anos, o mundo se despedia de uma das maiores lendas da música. A cantora Tina Turner morreu em 24 de maio de 2023, aos 83 anos, após enfrentar uma série de problemas de saúde nos últimos anos de sua vida.
A cantora nasceu em 1939 no Tennessee e, desde cedo, já tinha uma veia artística. Cantava em sua igreja e fazia apresentações na rua, o que garantia uma renda que usava em idas ao cinema. Sua juventude foi marcada por dificuldades familiares: ela enfrentou o abandono dos pais e carregou por muitos anos sentimentos de rejeição, experiências que moldaram sua trajetória.
Início da carreira: Ike & Tina

Tudo começou no início da década de 1960, quando gravou a canção “A Fool in Love” ao lado de seu então parceiro musical, Ike Turner. Até então conhecida como Anna Mae Bullock, passou a ser chamada de Tina Turner. O sucesso do single deu origem à dupla Ike & Tina Turner, que se consolidou como um dos principais nomes do R&B e do soul.

Entre os maiores sucessos da dupla Ike & Tina estão as canções “River Deep Mountain High” e “Proud Mary“. Apesar de todo o glamour e sucesso do casal, Tina passava por momentos de terror em seu relacionamento com Ike. A cantora relatou as diversas agressões cometidas por Ike, tanto físicas quanto psicológicas.
“Foi o meu relacionamento com Ike que me deixou mais infeliz. No início, eu estava realmente apaixonada por ele. Veja o que ele fez por mim. Mas ele era totalmente imprevisível. Ele jogou café quente no meu rosto, causando queimaduras de terceiro grau, usou meu nariz como saco de pancadas tantas vezes que eu conseguia sentir o gosto de sangue escorrendo pela minha garganta quando cantava. Ele quebrou meu maxilar. E eu não conseguia me lembrar de como era não ter um olho roxo.”
afirmou Tina
O relacionamento acabou em 1976, quando Tina fugiu do hotel onde estava hospedada enquanto Ike dormia. A cantora atravessou uma rodovia e foi em direção a outro hotel. Como só tinha 36 centavos, os funcionários viram o desespero de Tina e deixaram a cantora se hospedar sem cobrar nada.
“Eu vivia uma vida de morte, eu não existia. Eu não temia que ele me matasse quando eu fosse embora, porque eu já estava morta. Quando saí, não olhei para trás.”
O renascimento de Tina

Após o divórcio, a carreira da cantora era baseada em relembrar os sucessos da dupla Ike & Tina; era uma artista com ar nostálgico. Com shows em hotéis, cassinos e aparições em programas de TV, Tina não tinha o mesmo prestígio que havia tido anteriormente.
Tudo mudou quando a cantora decidiu entrar de vez no rock com o disco Private Dancer. Aos 44 anos de idade, a cantora alcançou o 3º lugar na Billboard 200 e vendeu 10 milhões de cópias em todo o mundo.

Com o disco, Tina emplacou um dos maiores hits de toda sua carreira, “What’s Love Got to Do with It“. A canção levou o Grammy de Gravação do Ano em 1985 e atingiu o topo da Hot 100, sendo a artista mais velha na época a atingir essa marca. Mais tarde, a música daria título à cinebiografia da cantora, lançada em 1993, estrelada por Angela Bassett, que foi indicada ao Oscar pelo papel.
Tina também se aventurou nas telonas, interpretando Tia Entity no clássico Mad Max. Ainda lançou para a trilha sonora do longa a canção “We Don’t Need Another Hero“, canção que lhe rendeu um Grammy e fez sucesso por todo o mundo.

Em janeiro de 1988, a cantora fez história no Brasil; seu show no Maracanã reuniu cerca de 180 mil pessoas, entrando para o Guinness como o maior público pagante em um show de uma artista solo. Em 1989, regravou a canção ‘The Best’, gravada antes por Bonnie Tyler. Na voz de Tina, a canção transformou a faixa em um hino de superação e autoconfiança, tornando-se um dos maiores sucessos de sua carreira.
Em 1993, viveu um dos momentos mais marcantes de sua trajetória ao dedicar a canção ao piloto Ayrton Senna durante um show na Austrália, realizado após sua vitória no Grande Prêmio da Austrália. Senna subiu ao palco acompanhado de Adriane Galisteu e foi recebido pelo público sob aplausos. Na ocasião, Tina declarou ser uma grande admiradora do tricampeão brasileiro.

Tina Turner se foi aos 83 anos, mas deixou na história da música um legado que jamais será esquecido. Considerada uma das maiores cantoras de todos os tempos, ela superou anos de violência e opressão para reconstruir sua vida e sua carreira do zero, alcançando um sucesso ainda maior. Sua voz poderosa e sua energia feroz a consagraram como a Rainha do Rock, um gênero que, por muitas vezes, ignorou e marginalizou artistas negras que ajudaram a moldar suas bases. Tina não apenas fez história: ela redefiniu o que significa resistência, talento e reinvenção. Tina é, e sempre será, Simply the Best.


