A rapper apresenta novas versões de seus sucessos no formato intimista e reforça a potência feminina
Com a introdução de “Dois Mundos”, primeiro single da artista, Duquesa abriu o Tiny Desk Brasil em grande estilo, com direito a manifesto, hits e rimas dos discos Taurus Vol. 1 e Taurus Vol. 2. O especial foi ao ar nesta terça-feira (03), no canal oficial do YouTube.
“No meu caos eu me encontro, sou meu inferno astral. Mudo a situação quando vejo que não é normal. Luto pelos meus iguais, de luto pelos reais. Mas tanto faz, não tô na luta de quem luta mais…”.
Com essa citação, Duquesa abriu o especial que mostra exatamente quem ela é como artista: referência para mulheres negras, talentosa e versátil.
Banda 100% feminina reforça identidade e representatividade
Ao implementar uma banda feminina, que inclui uma variedade de instrumentos, como guitarra, baixo, sintetizadores, trompete, além da DJ e das backing vocals, a rapper baiana apresentou suas canções com uma nova abordagem, que, segundo ela, era um grande desafio.
“Eu estava sentindo falta de um desafio novo. Já fiz todos os festivais do Brasil. Precisava de um frio na barriga. Aí eu pensei: caramba, é isso. É banda, é instrumento novo, é pegar uma composição antiga e reinventar o que a gente já faz.”
Essa performance abre o mês da mulher, período que simboliza a luta por igualdade de gênero, garantia de direitos e enfrentamento à violência contra a mulher, pautas que atravessam as letras de Duquesa e aparecem com força em seus trabalhos.

Com letras que vão além do empoderamento, Duquesa construiu uma narrativa musical que resgata os dilemas de mulheres negras, trazendo contexto, resoluções e inspiração para quem a ouve. Ao reunir apenas mulheres negras em todos os instrumentos da banda, ela decide inspirar também crianças periféricas a enxergarem a música como possibilidade real de futuro.
“Eu queria uma banda feminina e de mulheres negras em todos os instrumentos. As pessoas que assistem precisam entender e ver como possibilidade que uma criança negra pode começar a tocar piano, trompete, ser DJ, cantar, ser baterista, baixista e guitarrista. Que é uma realidade que infelizmente ainda é um pouco distante, principalmente para crianças periféricas. Acho que a gente está aqui abrindo um portal para isso”, afirma em nota à imprensa.

Elenco de peso: Tami Silveira no teclado, Mari Lima na guitarra, Alana Ananias como baterista, DJ Midi no pickup, Érica Silva tocando contrabaixo, Nicolls no trompete, Colen e Edyelle Brandão como backing vocals. A adição de bateria e trompete, instrumentos até então inéditos em seu show, a formação se completa com guitarra, baixo, teclados, DJ e backing vocals.
Estética inspirada no movimento Black Panther
A rapper baiana Duquesa traz um repertório musical que dialoga com a estética ao incorporar referências ao movimento Panteras Negras, nas boinas e nos figurinos de couro preto.
No formato intimista do Tiny Desk, Duquesa mostra a sua força e mostra que sua nobreza não depende de volume, e sim da autoridade com que conduz cada verso.
“Ouvir minha voz sem efeito foi uma reafirmação pra mim. Ainda tenho muita coisa pra explorar no meu canto.”
Repertório percorre diferentes fases da carreira
O setlist percorre diferentes facetas da artista. “Dois Mundos” abre como um manifesto íntimo, com versos escritos aos 17 anos. A dobradinha “Big D!!!!” e “Big D!!!! Pt. 2” avança com métrica afiada. Em “Turma da Duq”, ela provoca: “o seu rapper não é um gênio / ele só copia flow”.
“Fuso” prepara o terreno para um bloco mais melódico. Em “Purple Rain” e “Só um Flerte”, ficam evidentes as referências de R&B e soul, que expandem sua identidade para além das rimas. “Voo 1360” encerra com a temperatura lá em cima.
“Escolhi temas que representam discursos de empoderamento, mas também um pedido de justiça, de igualdade. Depois fica mais romântico e, no final, a gente curte, né? Nem tudo é um tapa na cara.”
No repertório, a cantora apresenta faixas como “Turma da Duq” e “Fuso”, que ganharam novos arranjos desenvolvidos especialmente para o formato do projeto.
Sobre Duquesa
Jeysa Ribeiro Conceição, mais conhecida como Duquesa, é um marco na cena musical. Natural de Feira de Santana (BA), começou a compor e gravar ainda na adolescência e ganhou projeção nacional a partir do lançamento de singles e do EP Sinto Muito (2022).
A artista se consolidou com os álbuns Taurus (2023) e Taurus, Vol. 2 (2024), que ultrapassaram 176 milhões de streams.
Construiu um repertório que passeia pelo rap e suas vertentes, além de flertar com house, R&B e pop, sempre com versos implacáveis sobre ambição, autoestima e poder feminino, além de dialogar com o rock indie e ritmos afro-diaspóricos.
Duquesa recebeu indicações a premiações como o BET Awards 2024, o Prêmio Multishow e o troféu Revelação no Prêmio Potências. Em 2025, lançou o EP SIX e passou por festivais como AFROPUNK Maranhão, Rock in Rio e The Town.

