Trinta anos após o acidente aéreo que interrompeu a carreira meteórica do grupo, os Mamonas Assassinas seguem como um dos maiores fenômenos da música brasileira
No ano de 1995, o Brasil inteiro enlouquecia ao ver cinco meninos de Guarulhos cantando letras com um humor escrachado e um carisma não visto nos principais programas de televisão da época. Formada por Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli, os Mamonas Assassinas foram uma verdadeira febre nacional, com figurinos emblemáticos e humor único. Durante sete meses, consolidaram uma carreira de sucesso estrondoso.

Utopia
A história do grupo começou em 1989, com a banda de rock Utopia, formada por Hinoto e os irmãos Reoli. Inicialmente, tinha uma pegada bem diferente dos Mamonas que conhecemos. A banda fazia covers de nomes do rock nacional como Legião Urbana, Titãs e Paralamas do Sucesso, além de canções autorais bem mais underground.

Em 1990, durante um show, por ninguém da banda falar inglês, Dinho se ofereceu para cantar “Sweet Child o’ Mine”. A troca de Dinho com a banda foi espetacular, e nasceu, a partir dali, uma parceria que mudaria a vida deles.
Os Mamonas
A mudança para o nome “Mamonas Assassinas” e para um rock mais cômico veio em 1994, quando eles gravaram, durante uma madrugada e no improviso, uma demo das músicas “Mina” (que seria mais tarde “Pelados em Santos”) e “Robocop Gay”. O produtor Rick Bonadio, junto de Rodrigo Castanho, decidiu lançar as faixas oficialmente após verem um grande potencial no grupo e rirem durante horas com as músicas.
A banda assinou com a EMI Odeon em abril de 1995. Daí veio o primeiro e único álbum do grupo, que foi gravado em Los Angeles e lançado no dia 23 de junho. A aclamação nacional veio após “Vira-Vira” ter um grande retorno nas rádios, fazendo com que se tornasse o disco de estreia que mais vendeu no Brasil.
Mamonas Assassinas era algo inédito na cena musical nacional, com letras politicamente incorretas e, para a época, com muito duplo sentido, teve um sucesso gigante, em sua maioria entre crianças. Eles fizeram uma turnê pelo Brasil e eram figurinhas carimbadas nos principais programas de TV, como Domingão do Faustão, Domingo Legal, Xuxa Park e Jô Soares Onze e Meia.

O grupo viveu, em apenas sete meses, um sucesso meteórico, conquistando fãs em todo o Brasil e até fora do país. A banda, no dia 3 de março de 1996, iniciaria uma turnê em Portugal, mas esse sonho foi interrompido um dia antes, quando o grupo sofreu um acidente aéreo que tirou a vida de todos os integrantes.
O Acidente
O acidente aconteceu quando o grupo voava em direção a São Paulo, porém a aeronave colidiu contra a Serra da Cantareira. Todas as nove pessoas que estavam no avião morreram. A morte do grupo foi uma verdadeira comoção nacional: 100 mil pessoas participaram do cortejo fúnebre.
Mesmo partindo tão precocemente, os Mamonas Assassinas deixaram para o Brasil um legado único. Suas músicas, mesmo com letras “politicamente incorretas”, até hoje são cantadas por pessoas de todas as idades em karaokês e tocadas em festas de todas as classes sociais. Entre as faixas, a de maior sucesso é Pelados em Santos, um clássico brasileiro. A música tem uma melodia brega e letra superdivertida, que vai da Brasília amarela à mistura de inglês e espanhol com gírias nacionais. Hoje suas canções são reproduzidas por crianças e jovens que não viveram a febre dos Mamonas, que hoje são fãs do grupo.

Muitos até tentaram reproduzir, mas nunca atingiram o patamar da banda. Os figurinos emblemáticos, o carisma e a troca de Dinho, com seu humor escrachado, com os outros membros do grupo criaram, no imaginário popular, um carinho e uma paixão que durará eternamente.

