O evento teve Liniker, BK’ e O Kanalha como headliners e abraçou artistas de diferentes regiões do Brasil
A edição 2025 do Festival Sarará aconteceu sábado (24), no Parque das Mangabeiras – região centro-sul de Belo Horizonte, Minas Gerais. Foram quatro palcos com atrações diversas, além de receber uma das maiores competições de dança do mundo, a “Red Bull Dance Your Style”.
A curadoria do festival prometia uma line diversa composta de rap, roda de samba, funk, maracatu, forró e até pagodão baiano. Cumprindo a promessa, já na abertura do evento, o palco Roda de Samba trouxe o Samba do Belka, grupo belorizontino que se apresenta no Belka Quintal Bar. O palco Amstel, que acolheu os principais nomes do festival, contou com um set da DJ Carol Blois, que aqueceu o público recém-chegado com ritmos do norte brasileiro.
A dupla carioca Febre 90’s foi a primeira a se apresentar no Paredão, palco que convidou nomes do funk e do hip-hop brasileiro. Apesar de breve, o show de SonoTWS (produtor musical e DJ) e pumapjl (MC) reuniu amantes do boom bap, celebrando a cultura de rua e denunciando a violência nas periferias – temáticas frequentes em suas letras. O show embalou os fãs fiéis e despertou a curiosidade de quem estava chegando no festival logo no começo da tarde.

Sem atraso, Iza Sabino foi a próxima atração do lineup. Sendo um dos nomes mais potentes da cena do rap em BH, a artista reforçou a relevância do seu trabalho e convidou Afreekassia e Sarah Sampp para dividir o palco em um excelente show. A participação das duas artistas, apesar de breve, foi impactante. No nosso papo, Iza falou sobre a sua relação com gerações anteriores de rappers femininas brasileiras em colaborações.
“Eu me senti lisonjeada de estar ali com a Stephanie e outras mulheres fodas. Estar com essas mulheres que são old (school) foi uma realização pra minha carreira. O respeito que a gente tem dentro da cena é a parte mais importante pra mim. Eu me senti realizada de estar entre essas mulheres e marcou a minha carreira.”
A púrpura, Budah, se juntou aos nomes de ‘minas’ do rap convidadas ao festival, o que reforçou um olhar atento do Sarará em relação a artistas em ascensão da cena do rap feminino.
Além do hip-hop, o Palco Paredão acolheu o funk e trap, com a apresentação do coletivo belorizontino de música eletrônica periférica Baile Room e do rapper fluminense, TZ da Coronel. Os fãs de trap receberam um show característico do artista e sem muitas movimentações, mas com direito a grandes hits. Já a Baile Room, formada pelos DJs Kingdom, Krammer e D.A.N.V, convidou ao palco o rapper Febem e a conterrânea MC Morena, voz de destaque no funk mineiro. Os dois convidados colecionam músicas de prestígio e tiveram sintonia com o trio de DJs. O show que já prometia muita dança e lazer conseguiu superar qualquer expectativa. No final da apresentação de Febem, o público e os artistas foram surpreendidos quando BK’ e Djonga subiram ao palco e deram uma palhinha de algumas músicas, em clima de resenha entre amigos. Só quem viveu, sabe.

Energia Sarará
O Palco Amstel pode ser considerado o principal do festival, já que ele acolheu os headliners desta edição. A DJ Carol Blois foi sucedida por uma das bandas mais longevas do cenário recente de Minas Gerais, Lamparina, que trouxe um repertório absurdamente contagiante que fez o público vibrar. Conhecidos pela autenticidade no som e no estilo, a banda compartilhou um pouco do que pretende explorar para o próximo álbum.
“O próximo trabalho, na verdade, vai ser uma coisa mais exotérica. É pra celebrar essa coisa de banda que é um negócio que tá morrendo. A galera não tá nessa onda mais, é só carreira solo. O que vem pela frente é que a gente quer fazer uma coisa mais maluca, delirante”.
O samba tomou conta com o som de Arlindinho, que se apresentou em um show afetivo e alegre com um repertório de músicas icônicas e também em homenagem ao seu pai, Arlindo Cruz. Mas quem roubou o coração do público mineiro, sem dúvidas, foi o baiano O Kanalha, que sacudiu geral com um repertório amplo da música baiana no ritmo do pagodão.
Entre os nomes mais aguardados do dia, o rapper BK’ se apresentou para um público de perder de vista, que cantou alto as faixas do disco “Diamantes, Lágrimas e Rostos pra Esquecer”. Considerado por muitos o melhor da sua geração, o artista tem uma tradição de grandes álbuns e em 2025 o seu lançamento já é considerado um dos melhores do ano.
A grande atração do dia, Liniker, fechou a noite com a turnê Caju, trazendo hits como ‘Febre’ e ‘Pote de ouro’, além dos maiores sucessos de sua carreira, espalhando a “energia sarará” para o maior público da noite. A presença de palco, a extensa banda de artistas, o repertório de sucesso justificam a posição de destaque da artista no lineup.


O palco Vem pra Roda foi uma novidade nesta edição do Sarará e também é uma proposta diferente entre os festivais belorizontinos. O palco 360º, instalado no centro do espaço, trazia uma referência à própria geometria característica das rodas de samba e criava uma intimidade com o público. Por ele passaram os grupos Samba no Quintal, Samba no Topo e Samba do Cacá, além do Samba do Belka, que citamos no início.
Red Bull Dance Your Style (competição de dança)
Quem transitava entre os palcos do evento pôde ainda presenciar a etapa regional da competição de dança da Red Bull, o “Red Bull Dance Your Style”. Oito dançarinos da grande BH se enfrentaram em batalhas 1×1 e apenas dois foram selecionados para as finais pelo voto do público presente no festival.
No desafio, os competidores improvisam a partir das batidas dos DJs que exploram diferentes ritmos da música urbana, passeando entre clássicos do hip-hop, hits do funk e do pop.
Ações de diversidade, acessibilidade e inclusão
O Sarará trouxe uma experiência interessante nas ações de diversidade, com direito a listas de ingressos gratuitos destinados a pessoas trans, travestis e não-binárias. A lista T tem sido uma prática comum entre eventos semelhantes em BH, mas o festival também deu show em acessibilidade e inclusão social. O evento contou com uma equipe exclusiva e área prioritária para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e também idosos. Além disso, intérpretes de Libras estavam presentes nos palcos de todos os shows.
A organização do evento também demonstrou preocupação com a saúde do público presente, implementando ações de redução de danos e saúde sexual. Preservativos foram distribuídos e o público teve acesso a atendimento médico e acolhimento de profissionais da área.

