De volta à cidade onde a banda nasceu, o grupo abriu a nova fase com um espetáculo que revisita dez anos de carreira, aproxima os integrantes dos fãs e dá novo significado aos planos cantados em 2016
Dez anos atrás, a Lagum cantava sobre fazer planos para agosto de 2026. Naquele momento, o futuro parecia distante. Agora, com uma carreira consolidada e músicas que atravessaram diferentes fases da vida dos fãs, a banda mineira transforma aquele verso em símbolo de uma nova etapa. No último sábado, 17 de outubro, o grupo estreou a turnê “Lagum em Todo Lugar” na Arena Hall, em Belo Horizonte, cidade onde tudo começou.
A escolha da capital mineira para abrir a série de shows tem um significado especial. Foi ali que Pedro Calais, Zani, Jorge e Chico Jardim construíram a história da banda, cercados por amigos, familiares e pelo público que acompanhou seus primeiros passos. Por isso, começar em casa também representa uma forma de reconhecer o caminho percorrido antes de levar o espetáculo para outras cidades brasileiras.
Um espetáculo que revisita a história da Lagum
A turnê “Lagum em Todo Lugar”, produzida pela Live Nation, celebra os dez anos de Seja o Que Eu Quiser, álbum de estreia lançado de forma independente em 2016. Entretanto, a proposta vai além de olhar para o passado: o grupo prepara novas versões de músicas conhecidas, resgata faixas importantes para os fãs e percorre diferentes momentos de sua discografia.
Na estreia, a banda abriu o espetáculo com “Ninguém Me Ensinou”, enquanto um pano escondia os músicos e as luzes revelavam apenas suas silhuetas. A escolha criou expectativa antes da entrada do grupo e deu início a uma noite marcada por cantoria, pulos e interação com a plateia. Em outro momento, os integrantes deixaram o palco principal e ocuparam uma plataforma mais distante, ampliando a proximidade com o público e traduzindo, na prática, a ideia de estar “em todo lugar”.
O repertório funciona como um percurso pela trajetória do grupo. Em entrevista ao Estado de Minas, o guitarrista Jorge explicou que a seleção reúne singles, músicas de diferentes álbuns e faixas menos conhecidas pelo público geral, mas muito queridas pelos fãs. A construção do setlist, portanto, busca equilibrar os sucessos que ganharam alcance nacional com canções que preservam uma relação mais íntima com quem acompanha a banda há anos.




A proposta também dialoga com as live sessions gravadas em cenários emblemáticos do Brasil, como o Bondinho do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, e a região amazônica, às margens do Rio Negro. Além disso, a banda se prepara para assumir novos ares e lançar um live session que deixará os fãs boquiabertos e provar que para eles, o céu nunca foi o limite. Esses registros exploram novas atmosferas para o repertório e ajudam a ampliar o universo visual e musical da turnê.
A música “2026” deixou de ser apenas uma promessa
O conceito da turnê nasceu de uma referência que acompanha a banda desde o primeiro disco. Na faixa “2026”, lançada em Seja o Que Eu Quiser, Pedro Calais canta sobre fazer planos para agosto daquele ano. Quando a música chegou ao público, o verso representava a ansiedade de quem ainda estava construindo uma carreira na música.
Uma década depois, a frase ganhou outro peso. A Lagum acumulou indicações ao Grammy Latino, conquistou quatro Prêmios Multishow e lançou trabalhos que ampliaram seu alcance no pop brasileiro. O plano de 2026, antes uma imagem de futuro, tornou-se um ponto de partida para celebrar o que o grupo construiu e projetar os próximos passos.
Em entrevista ao Vou de Grade, Pedro Calais relembrou que a frase surgiu como uma metáfora para a vontade de viver logo aquilo que os integrantes sonhavam. A chegada de agosto de 2026 permitiu transformar essa referência em um movimento que reúne turnê, lançamentos e conteúdos audiovisuais.
Belo Horizonte continua no centro dessa história
Mesmo com a expansão nacional, a relação com Belo Horizonte segue como parte importante da identidade da Lagum. A capital mineira foi cenário dos primeiros passos do grupo e continua presente na produção musical da banda. O álbum mais recente, As Cores, as Curvas e as Dores do Mundo, lançado em 2025, também carrega essa conexão: sua capa foi fotografada no terraço do Edifício Niemeyer, na Praça da Liberdade.
A trajetória, no entanto, não foi feita apenas de conquistas. Em setembro de 2020, a banda perdeu o baterista Breno Braga, conhecido como Tio Wilson, aos 34 anos. A ausência permanece ligada à história do grupo e ao período em que a Lagum ampliou sua projeção nacional. “Ninguém Me Ensinou”, que abriu o show de estreia da nova turnê, também se tornou uma música associada à homenagem ao músico.
Na apresentação de estreia, a conexão com os fãs também apareceu nas conversas espontâneas entre as músicas. O encerramento ficou por conta de “Oi”, acompanhado de uma frase de Pedro Calais que resumiu o vínculo construído ao longo dos anos:
“A gente se despede com um oi porque a gente sempre volta”.
A declaração ganhou um significado particular em Belo Horizonte, onde a banda reencontrou o público que faz parte de sua história.
Quais são os próximos shows de “Lagum em Todo Lugar”?
Depois da estreia em Belo Horizonte, a turnê segue por outras cidades brasileiras até dezembro de 2026. A programação divulgada inclui Rio de Janeiro, Brasília, Ribeirão Preto, Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba. A banda também indicou que novas datas poderão ser anunciadas, incluindo apresentações no Nordeste.
Confira as próximas apresentações confirmadas:
- 7 de novembro: Rio de Janeiro (RJ), no Qualistage;
- 28 de novembro: Brasília (DF), no Ulysses Centro de Convenções;
- 5 de dezembro: Ribeirão Preto (SP), no Multiplan Hall;
- 11 de dezembro: Porto Alegre (RS), no Auditório Araújo Vianna;
- 12 de dezembro: Florianópolis (SC), no P12 Jurerê;
- 13 de dezembro: Curitiba (PR), no Cine Lido.
Os ingressos estão disponíveis pela Ticketmaster.
Com “Lagum em Todo Lugar”, a banda transforma uma referência de seu primeiro álbum em uma celebração do presente. A turnê revisita as músicas que construíram sua identidade, recupera memórias compartilhadas com os fãs e abre espaço para novas experiências. E começar por Belo Horizonte reforça a mensagem: para chegar a novos lugares, a Lagum também faz questão de reconhecer de onde veio.

