Terceiro dia de festival foi marcado por muita chuva, nostalgia para o público millenial e a consagração do grupo de hip-hop no Palco Mundo
O terceiro dia do Rock in Rio 2026, realizado neste domingo (6), foi um verdadeiro teste de resistência e paixão. Debaixo de muita chuva, a Cidade do Rock foi tomada por um mar de capas plásticas e uma energia puramente nostálgica, voltada especialmente para o público entre 25 e 45 anos. Mas se o line-up apontava o ineditismo de um DJ encerrando o Palco Mundo, a prática mostrou que o verdadeiro headliner da noite tocou um pouco mais cedo.
O Black Eyed Peas entregou o que, sem dúvidas, foi o show mais espetacular da noite. Com uma presença de palco arrebatadora, will.i.am, apl.de.ap, Taboo e a potente J. Rey Soul transformaram o festival em um imenso baile. Entregando hits atemporais como “I Gotta Feeling”, “Pump It” e “Don’t Lie”, o grupo não apenas incendiou a plateia debaixo d’água, mas também fez reverência ao Rio de Janeiro ao convidar Papatinho para uma versão de “Rap do Silva”. Foi um espetáculo completo de interação, atitude e catarse coletiva, digno de fechar qualquer noite de festival.
A responsabilidade de encerrar o Palco Mundo, no entanto, ficou com Calvin Harris. Fazendo história como o primeiro DJ a ser headliner do palco principal nos 25 anos da música eletrônica no evento, o escocês entregou um mega espetáculo visual de lasers e telões. A Cidade do Rock se transformou na maior pista de dança do mundo ao som de sucessos absolutos como “Summer” e “This Is What You Came For”. Foi uma grande festa contínua, mas que careceu daquela troca calorosa, do suor e da energia humana de frente para a grade que o Black Eyed Peas havia servido minutos antes.
O clima de volta ao passado ditou o ritmo de todo o domingo. O rapper Nelly fez sua estreia no festival vestindo a camisa do Brasil, resgatando a essência do hip-hop dos anos 2000 com hinos como “Ride With Me” e criando um momento mágico com as lanternas dos celulares em “Dilemma”. No Palco Sunset, a nostalgia bateu forte com NE-YO, que entregou uma sequência impecável de R&B com “So Sick” e “Closer”, descendo até a grade para sentir o calor dos fãs de perto.
A brasilidade também teve seus momentos de glória absoluta. O Jota Quest emocionou uma multidão com uma homenagem a Tim Maia, elevando o nível com a participação histórica de Tony Tornado, no auge de seus 97 anos, cantando “Sossego”. Para abrir os trabalhos com o pé direito, o Barão Vermelho, presente na edição original de 1985, reuniu sua Formação Original em um tributo emocionante a Cazuza, mostrando que o rock nacional segue vivo no DNA do festival. O dia ainda contou com a força percussiva do BaianaSystem e o sucesso do duo Calema.
No fim das contas, debaixo de chuva e com ingressos esgotados, o domingo foi uma celebração histórica para quem cresceu nos anos 90 e 2000. Mas fica a lição: a verdadeira energia de um headliner não vem apenas de uma picape de som e telões gigantes, mas da conexão de alma com quem está ali na grade.

