O reflexo da maturidade, da autonomia e de uma relação mais honesta com a música na nova fase da carreira da artista que completa 20 anos de carreira
Com “Ecos” lançado nesta quinta-feira (13), Priscilla dá início a uma nova fase de sua trajetória musical. Durante uma coletiva de imprensa, a cantora apresentou algumas das faixas e compartilhou detalhes sobre o processo de criação do álbum. O trabalho representa mais do que uma nova etapa artística: é também um marco de autonomia, amadurecimento e reconexão com sua identidade musical, colocando a própria voz no centro dessa nova fase.
Depois de cerca de três anos de desenvolvimento, “Ecos” chega como o primeiro álbum independente da carreira de Priscilla. Sem participações especiais, o projeto aposta em uma proposta íntima e pessoal, construída a partir de referências musicais diversas e, principalmente, da potência vocal que acompanha a cantora desde o início de sua trajetória.
Mas, acima de tudo, o projeto é um álbum sobre Priscilla e sua relação com a própria arte. Questionada pelo Vou de Grade, sobre a escolha do nome do disco e sobre aquilo que ela espera que continue ecoando no público após a experiência de ouvi-lo, a cantora explicou que o título surgiu quase de maneira intuitiva.
“Eu não tinha um conceito, uma história. O único conceito era que a voz seria o nome. Um dia eu sonhei que minha irmã falava que o nome era ‘Eco’ e comecei a tentar conectar isso com outros pontos em mim.”
A ideia ganhou ainda mais significado após um encontro com Caetano Veloso. Segundo a artista, o músico afirmou que ela seria “a música encarnada”, uma frase que a deixou diante de uma grande responsabilidade e ajudou a construir a reflexão presente no álbum.
Para Priscilla, a própria existência pode ser compreendida como um eco: aquilo que parte de uma pessoa e permanece no mundo por meio de suas ações, palavras e escolhas.
“Eu sou uma voz, eu recebi um dom divino e o funcionamento disso é o eco. Ele sai de você e quer passar essa mensagem para as pessoas. A nossa existência, a nossa vida é a nossa voz, e nossas atitudes, nossas ações, são o nosso eco.”
Aos 30 anos e após duas décadas de carreira, Priscilla também vive uma fase de maior segurança em relação às próprias decisões. Segundo ela, a honestidade se tornou um valor inegociável, tanto na vida quanto na arte, e “Ecos” representa justamente essa busca por uma versão mais autêntica de si mesma.
A independência artística, nesse sentido, surge como uma das principais características desta nova etapa. A cantora ressaltou que deixou a gravadora não por conflitos, mas pelo desejo de experimentar uma nova forma de trabalhar e entender como seria conduzir integralmente a própria carreira.
“Eu só saí da gravadora porque queria muito experimentar como é ser independente. Depois de 20 anos de carreira, eu queria ter a liberdade de testar.”
Para ela, a autonomia trouxe benefícios importantes, principalmente pela possibilidade de criar sem a pressão de expectativas externas. Ao mesmo tempo, assumir o controle significa lidar também com burocracias, questões técnicas e decisões que agora passam diretamente por ela.
“É maravilhoso entrar no estúdio sem pressão e mergulhar no que o eu artista quer falar. Deixar a arte e a autonomia falarem. Voltar a fazer música volta a fazer mais sentido, porque existe mais conexão com a alma de artista.”
A artista afirmou que vem se descobrindo também como uma líder e empresária. Mesmo reconhecendo os desafios dessa nova posição, Priscilla enxerga a possibilidade de participar de todas as etapas do processo como uma oportunidade de entender melhor a própria carreira.
Nova fase
Entre as faixas, “Nosso Lugar” foi escolhida como música de foco do lançamento. Apesar de afirmar que possui uma relação especial com todas as canções do álbum, Priscilla explicou que a faixa acabou se tornando uma escolha natural depois de perceber a reação das pessoas que tiveram contato com o projeto.
Com referências que passam especialmente pelas décadas de 2000 e 2010, período que ela considera uma “década de ouro” da música, a canção foi vista como uma boa porta de entrada para o universo sonoro de “Ecos”.
Além do lançamento do disco, “Ecos” ganhará uma série de conteúdos visuais. A artista pretende lançar visualizers para as faixas, permitindo que cada música tenha seu próprio momento e, consequentemente, uma “sobrevida” dentro da divulgação do projeto.
Mais do que um álbum sobre uma mudança estética ou sonora, porém, Priscilla define “Ecos” como um projeto que lhe trouxe uma sensação específica: conforto.
Segundo ela, dentro da indústria musical, aquilo que inicialmente nasce como paixão pode, com o tempo, se transformar em algo desconfortável. Por isso, a criação do álbum também representou um processo de reflexão sobre sua relação com a música e sobre a necessidade de se realinhar com aquilo que a fez escolher esse caminho.
“A única palavra para descrever o álbum é conforto. Dentro da indústria, aquilo que você ama pode passar a ser desconfortável. Eu refleti muito sobre a minha paixão pela música e me realinhei com tudo isso.”
Ao final da coletiva, a cantora também falou sobre os próximos passos da era “Ecos”. A intenção é trabalhar o álbum ao longo dos próximos meses e, em 2027, concentrar esforços em levar o projeto para a estrada.
A expectativa, segundo Priscilla, é conseguir encontrar fãs em diferentes lugares e transformar o que hoje nasce no estúdio em uma experiência compartilhada ao vivo.

