Em “Kiss All the Time. Disco, Occasionally.”, Harry Styles aposta em batidas dançantes, referências musicais e reflexões sobre fama e amadurecimento
Após quatro anos sem lançar um novo projeto, Harry Styles retorna ao mundo da música com seu novo álbum “Kiss All the Time. Disco, Occasionally.”, um trabalho dançante, reflexivo e que celebra aproveitar a vida ao máximo.

O disco já se abre com o single “Aperture”, que chegou mostrando que o britânico decidiu se aventurar por caminhos diferentes. A faixa é um pontapé eletro-dance para essa nova era, inspirada nas baladas que o artista frequentou durante seu hiato. Em seguida, o cantor apresenta “American Girls”, que traz uma sonoridade mais leve e calma, mas ainda com um sentimento dançante embalado por uma forte presença de piano.
Harry retorna cheio de energia na terceira faixa, “Ready, Steady, Go!”, uma música que surpreende ao revelar um artista ainda mais versátil. Nada básico quando o assunto é dar vida à sua arte, Styles surge com uma voz mais rouca enquanto a bateria marca o ritmo com força. A canção é completamente dançante e, ao mesmo tempo, parece convidar o ouvinte para correr uma maratona, algo que o próprio artista passou a fazer durante suas “férias”.

As referências de Harry Styles neste novo projeto são bastante tangíveis. Ainda assim, o disco não soa como uma cópia. O cantor parece entender a “receita” de artistas que o inspiram, como a banda LCD Soundsystem, e imprime sua própria identidade. Em alguns momentos, o álbum também pode lembrar a energia de The White Stripes ou até mesmo o estilo de Franz Ferdinand.
Ao contrário do que muitos especulavam, Styles não mergulha exatamente no disco music que artistas como Dua Lipa, The Weeknd e Bruno Mars exploraram com sucesso. Em vez disso, ele nos leva para uma pista de dança com atmosfera do final dos anos 90 e início dos anos 2000, algo próximo de uma balada pop indie ou rock underground.
Em “Are You Listening Yet?”, o cantor questiona de forma intensa e divertida. É muito bonito perceber como cada faixa mantém os instrumentais bem marcados e como Harry utiliza a própria voz como um instrumento dentro das músicas. “Tast Back” e “Waiting Game” funcionam muito bem lado a lado: aqui o álbum desacelera um pouco o ritmo frenético das primeiras faixas, lembrando em alguns momentos o clima de Harry’s House, embora ainda mantenha uma pegada dance, mesmo que mais suave.
A sétima faixa, “Season 2 With Loss”, é um grande destaque. A música retoma o clima dançante enquanto apresenta uma letra mais reflexiva, na qual Harry questiona sentimentos e relações. Um dos versos abre a faixa com um questionamento profundo: “Mesmo ganhando dinheiro vivo, você não está à venda?”

“Paint By Numbers” tem tudo para se tornar uma verdadeira canção conforto para muitos fãs. A faixa funcionaria muito bem com uma colaboração especial, talvez com Stevie Nicks dividindo os vocais com Styles.
Quer dançar mais? Harry Styles realmente parece ter se inspirado nas pistas que frequentou durante o hiato. Isso fica evidente em faixas como “Pop” e na deliciosa “Dance No More”, um dos grandes destaques do álbum. Os baixos são marcantes e chamativos, e a música chega a lembrar o estilo do icônico Prince. Com um refrão irresistível, é fácil imaginar o público cantando essa em coro quando o cantor passar pelo Brasil com a aguarda “Together, Together Tour“
Mesmo explorando um território mais dançante, Harry não abandona um de seus maiores pontos fortes: as baladas. Isso fica claro em canções como “Coming Up Roses”, que traz uma orquestra magnífica, e também em “Carla’s Song”, faixa que encerra o álbum. A música foi inspirada em uma amiga e representa o momento em que Styles redescobriu que a música ainda pode ser profundamente marcante na vida das pessoas.
Harry Styles em seu retorno ousado
Com isso, Harry Styles acerta em cheio. Seu novo álbum é marcante não apenas em sua carreira, mas também para seus fãs e para quem ainda pode descobrir o artista mesmo após anos de trajetória na indústria musical. Em seu terceiro projeto solo, ele se mostra um verdadeiro camaleão e desperta curiosidade sobre quais serão os próximos passos de sua carreira.

“Kiss All the Time. Disco, Occasionally.” soa refrescante, noturno e convidativo. Um disco que dá vontade de correr, dançar e olhar para a vida com mais apreço, vivenciando cada sentimento, do luto à alegria e ao amor. Não é básico: é fora do convencional e delicioso como uma receita bem executada.


2 Comentários
harry mostrando mais uma vez que ele é ARTISTAAA! amei a review! 💗💗💗
Eu amei esse álbum, a minha preferida é “paint by numbers”. Otima review, tudo muito bem feito. 🤍