Cantor que estava com sequelas de um AVC desde 2017 nos deixa com um grande legado
Nesta sexta-feira (08) o Brasil perdeu um dos maiores sambistas que já existiu no país, Arlindo Cruz. O artista sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) no ano de 2017 e desde então vivia com sequelas, precisando assim da ajuda da esposa e de seus dois filhos.
TRAJETÓRIA E IMPORTÂNCIA NO SAMBA.

Nascido em 14 de setembro de 1958, no subúrbio do Rio de Janeiro, Arlindo cresceu em Madureira, cercado por música. Desde cedo, aprendeu cavaquinho e violão com a família, mergulhando na cultura do samba. Sua trajetória começou nas rodas do Cacique de Ramos, ao lado de nomes como Jorge Aragão, Almir Guineto e Beth Carvalho. Logo, suas composições passaram a ser gravadas por grandes intérpretes, consolidando-o como um dos mais prolíficos compositores do gênero. Com talento e carisma, tornou-se referência no pagode e no samba de raiz, conquistando gerações.

Arlindo Cruz alcançou projeção nacional como integrante do Fundo de Quintal, grupo que ajudou a renovar o samba e popularizar o pagode. Durante os 12 anos em que permaneceu na formação, contribuiu com clássicos como “Seja Sambista Também” e “O Mapa da Mina”. Em 1993, seguiu carreira solo e lançou discos marcantes, como Arlindinho e Batuques do Meu Lugar. Em parceria com Sombrinha, gravou cinco álbuns entre 1996 e 2002. Um dos momentos mais emblemáticos de sua trajetória foi o DVD MTV Ao Vivo: Arlindo Cruz (2009), que vendeu mais de cem mil cópias. Sua obra foi reconhecida com mais de 26 prêmios, incluindo o 26º Prêmio da Música Brasileira, além de cinco indicações ao Grammy Latino. Também brilhou nas disputas de samba-enredo, assinando composições para escolas como Império Serrano, Vila Isabel e Grande Rio.
Mesmo após o AVC em 2017, Arlindo seguiu sendo uma figura amada e reverenciada na música brasileira. Seu último projeto, Pagode 2 Arlindos, em parceria com o filho Arlindinho, mostrou sua força criativa até os últimos dias antes da doença. Ao longo da carreira, compôs sucessos eternizados por nomes como Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Alcione e Reinaldo, incluindo “Bagaço de Laranja”, “Casal Sem Vergonha” e “A Sete Chaves”.
Mais do que um artista, Arlindo Cruz foi um símbolo de resistência cultural, preservando e inovando o samba sem perder suas raízes. Sua morte deixa uma lacuna irreparável no cenário musical e muita saudade, mas seu legado permanece vivo em cada roda de samba, nos carnavais e nas vozes de quem segue cantando suas canções.

