Neste sábado (02), a equipe do Vou de Grade acompanhou de pertinho tudo que rolou no festival Lobofest na Arena Lucky Friends, localizada na cidade de Sorocaba, interior de São Paulo
O festival contou com dois palcos: Xeque Mate e Facens, além de praça de alimentação, feiras diversas incluindo brechós, marcas autorais e independentes, lojas de discos e muito mais. Destaca-se a inclusão de uma área kids, e de um espaço voltado ao público pcd.

E esse ano, a Lobofest trouxe uma line-up de peso: Marina Sena, Djonga, Yago Oproprio, Terno Rei, Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo, Vanguart, Brenziê, Gabrelú, Pelados, Yá Rosa, Ana Paia e a DJ Brandini abrindo o festival.
Palcos, organização e estrutura
O festival é dividido em dois palcos principais — o Xeque Mate e o Facens — posicionados um de frente para o outro. Para evitar tumultos e confusão sonora, já que o espaço é relativamente pequeno, os shows acontecem de forma alternada, e não simultaneamente. Isso é um ponto positivo, porque o som não se cruza e o público consegue assistir a todas as atrações sem interrupções.
Além dos shows, o evento oferece uma praça de alimentação variada, com opções que vão de lanches rápidos a pratos vegetarianos/veganos e bebidas artesanais. O espaço também abriga uma feira com brechós, marcas autorais, produtos independentes, lojas de vinil e outros expositores criativos, reforçando o vínculo do festival com a cultura urbana e o empreendedorismo local.
Pensando na diversidade do público, o festival conta com uma área destinada ao público infantil, equipada com atividades lúdicas e educativas. Em relação à acessibilidade, o espaço destinado a pessoas com deficiência (PCDs) estava localizado entre os dois palcos principais, o que proporcionou uma boa visão das apresentações sem a necessidade de deslocamento.
LINEUP COMPLETA
Yá Rosa

Yá Rosa subiu ao palco com uma voz suave e potente, além de uma presença carismática que conquistou o público logo nos primeiros minutos. Sua simpatia e conexão com a plateia ajudaram a atrair o público espontâneo para mais perto do palco, criando uma atmosfera acolhedora logo de início — quem se aproximou pra ouvir, ficou para apreciar sua performance.
A cantora e compositora Yá Rosa foi a responsável por abrir os trabalhos no primeiro dia de festival. Com influências que passam pelo R&B, neo-soul e MPB contemporânea, ela vem se destacando na cena independente por suas letras sensíveis e uma estética sonora sofisticada, que mistura delicadeza e força em doses bem equilibradas.
Pelados
No palco, foram pura energia. A vocalista mandou bem nos vocais e segurou a apresentação com confiança e empolgação. A banda inteira é animada e entrosada, entregando um som viajado, alienígena e gostoso de ouvir. Um rock que dá vontade de dançar, bater cabeça e sair flutuando ao mesmo tempo. Pra quem curte som com identidade, foi um prato cheio, e um ótimo começo pra marcar esse momento histórico na trajetória deles.
A banda Pelados fez do show um marco especial: foi o primeiro festival da carreira deles. O grupo paulistano é formado por Manu Julian (voz), Vicente Tassara (guitarra), Helena Cruz (baixo e voz de apoio), Theo Ceccato (bateria) e Lauiz (sintetizadores e programações).
Com um som que mistura rock, psicodelia e uma vibe meio espacial, eles entregam algo ao mesmo tempo nostálgico e diferente de tudo.
Ana Paia

No palco, a vocalista é toda meiguice — voz suave, rock indie melódico e sentimental, tudo em tom leve e conciso. As músicas não têm pressa, mas são envolventes o bastante pra segurar a atenção no meio do festival, sem cansar ninguém. É aquele som de meio de line-up: não explode, mas te conquista de forma calma e bonita.
Ana Paia é o projeto solo da cantora e compositora Ana Paula, natural de Sorocaba (SP). Ela estreou com o EP Atelofobia em 2017 e lançou singles como “Mais Um Dia” e “Eu Não Sei” em 2019, explorando referências de emo, rock alternativo e dream pop com sonoridade lo-fi e introspectiva.
Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo
A setlist agita com as faixas agitadas como “Delícia/Lúxuria”, “Debaixo do Pano” e a favorita do público “Segredo”. Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo é tudo aquilo que você tem medo de ser — e não tem coragem de fazer.
Eles são sinônimo de espontaneidade: tocam, gritam, performam e se jogam com uma entrega visceral, porque amam e respiram o que fazem. É uma banda de amigos de longa data, e isso dá uma liberdade que não se ensaia.
A sinergia entre eles é tão natural que parece que o palco é apenas uma extensão. Quem não conhecia, certamente se tornou fã.
Em todos os shows, a banda sempre se posiciona politicamente e na Lobofest não foi diferente. Ao apresentar uma nova música, a banda comenta brevemente sobre o episódio de censura que aconteceu durante a Semana do Rock, projeto idealizado pela Prefeitura de São Paulo.
Despretensiosos e afiados, a banda Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo (SCUEPT) vem conquistando um espaço cada vez mais sólido no cenário de rock alternativo paulistano. Seja pela energia contagiante das apresentações ao vivo quanto pelos refrões certeiros sem cair no automático, vivenciar um show da banda é sem sombra de dúvida, uma dose bem servida de lirísmo honesto, espontâneo e muito bem articulado.
Benziê
A apresentação de Benziê foi marcada pela qualidade musical e pela simpatia dos músicos, criando um show aconchegante e envolvente. Sem recorrer a grandes efeitos ou performances exageradas, eles mostraram que podem se bastar com pouco — entregando muito mais para os ouvidos atentos.
Benziê é um duo musical formado por Vic Conegero e Du Pessoa, natural de Sorocaba, interior de São Paulo. Com uma sonoridade que mescla MPB contemporânea com influências do forró e do afrobeat, a dupla conquistou reconhecimento por suas apresentações intimistas e de alta qualidade musical.
Sua trajetória inclui turnês pelo Brasil e uma base de fãs fiel, especialmente na região de Sorocaba, onde iniciaram sua carreira e receberam apoio de músicos locais.
Com músicas como “Água Salgada”, que ganhou um remix de sucesso internacional, Benziê continua a expandir suas fronteiras musicais, mantendo-se fiel às suas raízes e à essência da música brasileira . Sua participação na Lobofest 2025 reforçou seu compromisso com a cena musical independente e sua conexão com o público local e nacional.
Yago Oproprio
Ele iniciou sua performance um pouco retraído, mas logo foi ganhando confiança e se soltando no palco.
A energia do público, que dançou e pulou durante toda a apresentação, elevou ainda mais o clima, criando uma troca intensa entre artista e fãs. Essa interação fez com que o show ganhasse uma vibração contagiante e envolvente, algo que evidentemente impactou o cantor que devolveu essa energia em dobro.
Ao longo das apresentações, Yago Oproprio vem amadurecendo seu estilo e lapidando sua performance, tornando-a mais concisa e segura. Essa evolução é perceptível e faz com que suas apresentações ganhem mais impacto, mostrando um artista que cresce e se consolida a cada show.
Yago Oproprio é natural da Zona Leste de São Paulo. Sua música combina sonoridades do rap tradicional, boombap e trap com influências melódicas da MPB, R&B e do samba . Em 2024, lançou seu álbum de estreia, “Oproprio”, que conta com 10 faixas inéditas e rapidamente o colocou em evidência no cenário musical brasileiro.
Gabrelú
Gabrelú foi um momento à parte no festival: havia conceito, performance, figurinos estonteantes e uma equipe que realmente acreditava no seu trabalho — cada detalhe foi construído com muita paixão. O show começou com uma mescla deliciosa de hip hop, soul e R&B, além de um flow que contagiou os ouvidos. De repente, o perfil mudou para o “hi-tech”: ninguém conseguiu ficar parado quando a equipe subiu ao palco com trajes da SPPARIS, entregando um puro espetáculo de hip‑hop.
E o melhor: tudo isso foi produzido por pessoas de Sorocaba que amam e fortalecem a cena local, o que só reforça o valor e a autenticidade de uma apresentação tão potente.
Gabrelú é um artista áudio visual e performer nascido em Votorantim, no interior de São Paulo, atualmente radicado na zona norte da capital. Iniciou sua trajetória no rap e no movimento hip‑hop, lançando em 2020 a mixtape Presença, e em 2023 o álbum Caminhante Hi‑Tech, que mistura referências de Drill e Trap com ritmos ancestrais e batidas de atabaque, em uma narrativa estética urbana e futurista. Reconhecido por seu flow hipnótico e experimental, Gabrelú também se destaca como realizador audiovisual e criativo, unindo música, performance e cinema com forte caráter autoral.
Vanguart
Vanguart trouxe ao festival um clima familiar e amoroso muito característico, com seu som folk-country carregado de afeto e afinação delicada. Os integrantes destacaram durante toda a apresentação a energia do amor, criando uma atmosfera acolhedora. Se por um lado essa energia afetiva permeou tudo — o que, para alguns, pode ter tornado o clima um tanto açucarado — ao mesmo tempo reforçou o tom íntimo e afetuoso do show, deixando clara a conexão da banda com seu público.
Vanguart é uma banda brasileira formada em 2002 em Cuiabá, Mato Grosso, liderada por Hélio Flanders. Com uma proposta autoral que mistura folk rock, indie e influências da MPB e country, o grupo ganhou destaque nacional com o single “Semáforo” em 2006 e o álbum de estreia lançado em 2007 pela revista Outracoisa. Ao longo dos anos, lançaram álbuns como Boa Parte de Mim Vai Embora (2011) e Beijo Estranho (2017), consolidando-se como referência na cena independente brasileira.
Terno Rei
Terno Rei tem muita experiência de estrada e são muito sólidos naquilo que se propõem a fazer. Se você é grande fã da discografia deles, sairá satisfeito com o show: as músicas funcionam exatamente como nos discos, com apuro técnico e entrega fiel ao repertório. Ainda que o impacto visual ou a interação com o público possam parecer contidos, a performance reflete segurança e constância. Essa abordagem calma pode não empolgar todo mundo, mas ressalta o profissionalismo da banda em cada nota.
Terno Rei é um quarteto paulistano formado em 2010 por Ale Sater (voz/baixo), Bruno Paschoal e Greg Maya (guitarras/synths) e Luis Cardoso (bateria). Desde o álbum de estreia Vigília (2014), o grupo desenvolveu uma sonoridade que mistura indie rock, dream pop e pós-punk, marcada por letras introspectivas e arranjos melancólicos.
Com grande repercussão nacional a partir de Violeta (2019) e consolidado com Gêmeos (2022) e Nenhuma Estrela (2025), a banda se destaca pela consistência técnica e uma presença palco que carrega maturidade e segurança artística
Djonga

Djonga entregou um show potente, emocional e interativo. Extremamente carismático, ele demonstrou carinho pela sua base de fãs do início ao fim, chamando casais ao palco durante “Leal” e criando momentos de pura emoção coletiva. Mais do que entreter, Djonga se posiciona, se faz presente e se conecta — com o público e com o contexto.
Por isso, não foi à toa que recebeu o título de headliner do Lobofest: ele ocupou esse lugar com força, entrega e merecimento. Quem esteve lá não voltou para casa com fome, Djonga serviu muita qualidade do começo ao fim.
Djonga se apresentou na Lobofest com a turnê “Quanto Mais Eu Como, Mais Fome Eu Sinto” (QMCMFS), iniciada em 2025. A série de shows marca uma nova fase na carreira do rapper mineiro, com foco em faixas inéditas, cenografia própria e um formato de apresentação mais elaborado. O projeto sucede turnês anteriores como “Histórias da Minha Área” e “O Dono do Lugar”, consolidando Djonga como um dos nomes de maior circulação no circuito nacional de festivais.
A vinda do artista à Lobofest ocorre dias após o cancelamento de um show previsto em Belém, que seria realizado em 1º de agosto. Segundo comunicado oficial da produção local, a decisão foi tomada por “motivos alheios à vontade da equipe do artista”.
Marina Sena

Marina Sena entende como poucos que um show é, acima de tudo, uma obra de arte ao vivo. Ela não poupou esforços em conceito visual e sonoro: vocais impactantes, instrumental impecável e presença de palco envolvente criaram uma aura tão profunda que parecia abraçar cada canto da Lucky Friends Arena. Era impossível desviar o olhar — e isso não passa despercebido.
Com confiança e maturidade, Marina encerrou o Lobofest 2025 com chave de ouro, entregando uma performance que condensou toda a potência do álbum Coisas Naturais em um espetáculo memorável.
A turnê Coisas Naturais estreou em 26 de abril de 2025 no Espaço Unimed, em São Paulo, com datas por várias capitais do Brasil até agosto, incluindo a apresentação de Sorocaba. Nos shows, Marina mantém a estética visual do álbum, com produções visuais imersivas e performances que combinam vocais poderosos, arranjos instrumentais e coreografias pensadas para criar uma presença de palco cativante e artística.
Desde o lançamento, Coisas Naturais foi muito bem recebido pelo público e pela crítica, consolidando Marina Sena como um dos nomes mais relevantes do pop brasileiro atual. As faixas do disco rapidamente alcançaram milhões de streams nas plataformas digitais, e a turnê tem passado por casas lotadas por todo o país.

