Projeto de pai e filho aprofunda reflexões sobre tempo, tecnologia e herança geracional em novo capítulo da trajetória da banda
A história do Hungrs nasce de um cenário comum a muitos fãs de música pesada que se tornam pais, mas raramente se concretiza dessa forma. Marcos, de 45 anos, sempre sonhou em dividir com o filho a paixão pelo heavy metal. Lucca, hoje com 17, não apenas se interessou pelo mesmo universo como transformou essa conexão em algo maior. Assim surgiu o Hungrs, uma banda formada por pai e filho que traduz laços familiares em som, conceito e identidade artística.
Esse encontro geracional ganhou forma em Simbiose, álbum de estreia lançado em 2025. Agora, em 10 de fevereiro de 2026, o disco completa um ano e recebe uma edição especial comemorativa. O relançamento inclui a faixa inédita “Negative Abyss”, versões instrumentais de todo o álbum e uma variação da arte de capa, ampliando a experiência proposta desde o início do projeto.
Mais do que um registro musical, Simbiose funciona como um diálogo entre duas eras da indústria fonográfica. De um lado, a vivência de quem acompanhou o auge do formato físico, sua queda e posterior reinvenção. Do outro, a perspectiva de quem cresce em meio ao streaming, aos algoritmos e à aceleração constante da cultura digital. Essa tensão atravessa o som do Hungrs, que aposta em atmosferas densas, introspectivas e diretas, sem recorrer à nostalgia ou a fórmulas previsíveis.
Um ano após o lançamento, os números ajudam a contextualizar a trajetória do álbum. Simbiose soma mais de 40 mil streams no Spotify, ultrapassa 50 mil visualizações no YouTube e mantém cerca de 200 ouvintes mensais. Embora modestos em escala comercial, esses dados refletem um alcance orgânico e coerente com a proposta artística do projeto.
A circulação do disco também passou pela imprensa especializada. No Brasil, o Hungrs foi destaque em veículos como Tenho Mais Discos Que Amigos e Roadie Crew. No exterior, apareceu em publicações como Chaoszine, da Finlândia, LaCarne Magazine, da Espanha, The Moshville Times, da Escócia, e Metalpedia, do México.
O principal destaque da edição comemorativa é “Negative Abyss”. A faixa aprofunda o lado conceitual da banda e dialoga com temas como tempo, ruptura e continuidade. A letra foi inspirada no artigo acadêmico The Negative Abyss: Surface, Depth, and Violence in Virilio and Stiegler, publicado em 2015, que discute uma distopia da cultura da nova mídia, marcada pela superficialidade e pela compressão do passado, presente e futuro em um mesmo plano.
A música chega acompanhada de um videoclipe dirigido por Felipe Hervoso, da Noiseforge, gravado no Estúdio 540, em Sousas, Campinas. O vídeo estreia no mesmo dia do relançamento do álbum, às 11h, reforçando o caráter conceitual e audiovisual dessa nova fase do Hungrs.
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