Na noite do último sábado (9), o trio australiano Chase Atlantic transformou o Suhai Music Hall, em São Paulo, em um universo próprio — pulsante, intenso e emocional. Formado por Mitchel Cave, Clinton Cave e Christian Anthony, o grupo retornou ao Brasil após dois anos desde sua última passagem pelo país, em 2022, com a turnê Beauty in Death. Desta vez, o reencontro foi ainda mais especial: um espetáculo grandioso, envolvente e marcado por uma conexão indescritível entre banda e público.
Desde a fila, o clima já anunciava o que viria. Fãs de todas as idades e cidades tomaram as ruas próximas à casa de shows com cartazes, luzes coloridas e gritos que ecoavam o nome da banda. Muitos carregavam lembranças da última vinda do trio ao país, ansiosos para viver novamente a intensidade de um show do Chase Atlantic — e ninguém saiu decepcionado.
Quando as luzes se apagaram e os primeiros acordes de “Die For Me” ecoaram, o Suhai explodiu em euforia. O público reagiu com um coro ensurdecedor, transformando a casa em um mar de vozes. A banda surgiu envolta em luzes vermelhas e fumaça, abrindo caminho para uma apresentação cinematográfica, onde som e estética se uniram em perfeita sintonia.
O setlist foi uma verdadeira viagem emocional — um equilíbrio entre a sensualidade eletrônica e a melancolia lírica que definem o som do Chase Atlantic. Entre os destaques estiveram “Slow Down”, “Consume”, “OHMAMI”, “Favela”, “Into It” e “Swim”, que colocaram o público em êxtase, alternando momentos de explosão e introspecção. Já faixas como “Heaven and Back”, “Beauty in Death” e “I Don’t Like Darkness” criaram pausas de vulnerabilidade, em que Mitchel Cave parecia cantar diretamente para cada pessoa da plateia.
O repertório completo da noite incluiu:
Die for Me, Slow Down, Consume, Ricochet, The Walls, Doubt It, OHMAMI, FAVELA, Into It, Disconnected, Facedown, Heaven and Back, Warcry, Okay, Beauty in Death, I Don’t Like Darkness, Church, Swim e Friends.
Cada música era acompanhada por visuais intensos — jogos de luzes vermelhas, azuis e roxas que se alternavam conforme o ritmo das batidas, criando uma experiência audiovisual imersiva. A cada refrão, o chão tremia sob os pulos sincronizados do público, e a energia parecia atravessar o ar como uma corrente elétrica.
O que torna o Chase Atlantic tão magnético é como eles transformam o palco em um espaço sensorial. Mitchel domina os vocais com uma presença quase hipnótica, enquanto Clinton alterna entre o saxofone e sintetizadores, e Christian conduz a plateia com sua intensidade silenciosa. Juntos, os três constroem uma atmosfera que vai além da performance musical — é uma experiência emocional.
O público brasileiro, conhecido por sua paixão, correspondeu à altura. Em vários momentos, a banda se mostrou emocionada com a recepção, trocando olhares e sorrisos cúmplices enquanto a multidão gritava cada verso com devoção. “Vocês são insanos”, brincou Mitchel, com um sorriso que arrancou ainda mais aplausos.
Essa entrega não é novidade: o Chase Atlantic sempre demonstrou um carinho especial pela América Latina, onde encontra alguns dos fãs mais intensos do mundo. A relação do grupo com o Brasil é marcada por reciprocidade e afeto — e o show no Suhai foi a prova viva disso. Entre agradecimentos e gestos de emoção, o trio deixou claro o quanto se sente em casa por aqui.
Nos minutos finais, o público parecia não querer deixar a noite acabar. Quando “Friends” encerrou o setlist, a casa inteira cantava em uníssono, iluminada pela luz dos celulares e pela energia que só um reencontro desse tipo é capaz de gerar.
Ao deixar o palco, o Chase Atlantic reafirmou o que seus fãs já sabiam: eles não apenas fazem música — criam mundos, atmosferas e memórias. E, para quem esteve ali, foi mais do que um show — foi uma noite para guardar na pele, na alma e no coração.

