Marcelo Beraldo fala sobre os 15 anos do Lolla no Brasil, os critérios por trás do line-up de 2027 e a busca por artistas que podem se tornar os próximos grandes nomes da música
Em 2027, o Lollapalooza Brasil chega à sua 15ª edição com uma programação comemorativa que passeia por diferentes gêneros, gerações e cenas musicais. De Travis Scott a Charli XCX, passando por The Killers, David Guetta, Queens of the Stone Age e artistas brasileiros, o festival reafirma sua proposta de reunir grandes nomes e abrir espaço para novas descobertas.
Mas o que faz um artista conquistar um lugar no line-up de um dos maiores festivais de música do país? E como equilibrar atrações consagradas com nomes que ainda estão construindo sua trajetória? Em entrevista, Marcelo Beraldo, diretor artístico e curador do Lollapalooza Brasil, reflete sobre as transformações da curadoria ao longo dos anos, explica o papel das apostas na programação e revela o que a equipe procura nos artistas que podem protagonizar as próximas edições.
O Lollapalooza Brasil chega à sua 15ª edição em 2027. Ao longo desses anos, o festival recebeu artistas dos mais diferentes gêneros e gerações. Olhando para essa trajetória, o que você acredita que mais mudou na curadoria do Lolla e o que permanece como essência do festival?
Marcelo: O que mais mudou foi o público: em 2012 o Lolla falava com uma tribo; hoje fala com mais de uma geração e um público que ouve de tudo e descobre música por algoritmo, mas também por indicação de amigos. A curadoria virou o contraponto humano disso — metade é dado, outra metade é escuta. O que permanece é a essência: um festival de descoberta, para quem gosta de música, e em que você entra por um nome e sai com três ou mais favoritos.
O line-up desta edição reúne artistas que transitam por universos muito diferentes, indo de Travis Scott a Charli XCX e The Killers a David Guetta, Queens of the Stone Age e nomes brasileiros de diferentes cenas. Quanto da programação é construída a partir de artistas que já estão consolidados e quanto envolve uma aposta em nomes que ainda estão crescendo?
Marcelo: Os headliners são dez em mais de setenta nomes. O resto é presente e futuro — e metade do cartaz é brasileira, onde o critério é assumidamente risco, porque artista nacional no Lolla não é escalado necessariamente para vender ingresso. A aposta é a regra; o consagrado é a âncora que dá ao público a confiança para ir descobrir.
Além dos grandes nomes, o Lollapalooza também tem um histórico de apresentar ao público brasileiro artistas que estão começando a ganhar espaço por aqui. Nesta edição há vários nomes que fazem sua estreia no festival. O que vocês procuram em um artista novo para decidir que ele tem potencial para ocupar um palco e, quem sabe, se tornar um dos grandes nomes das próximas edições?
Marcelo: Curva, não tamanho: um artista crescendo diz mais do que um artista grande parado. Show ao vivo que segure um palco, um público que já canta as músicas sem precisar de rádio, e se ele cabe na grade de um dia específico. E histórico: a gente viu Mochakk, Fontaines e The Neighbourhood crescerem de uma edição para outra — é o que um festival de 15 anos tem que um festival novo não tem.

A 15ª edição do Lollapalooza acontece nos dias 19, 20 e 21 de março de 2027 no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Os ingressos continuam disponíveis para compra no site da Ticketmaster.

